09/10/07 19:07
Prazer e dor

Tenho um grande amigo que é atleta. Eu nunca consegui entender como ele pode sentir tanta dor e mesmo assim continuar uma prova. Se está doendo a solução me parece meio óbvia: parar.

Nem sempre seguimos o óbvio porque o propósito pode ser maior, nobre até. Penso nas relações amorosas e poucas vezes seguimos o óbvio. Complicamos tudo. Algumas vezes sentimos dor e não paramos. Vamos adiante como uma kombi totalmente desgovernada numa ladeira. E pior, sem rumo. Algumas vezes sentimos dor e paramos, mas nem por isso ela vai embora no mesmo instante.

Uma vez perguntei a ele porque seguia adiante sentindo dor. Ele me respondeu: “Dói muito fazer uma prova inteira, mas o foco é chegar ao final porque o prazer é incomparável”. Em seu primeiro ironman ele chegou triunfante. No segundo, eu pude conferir em seu olhar as lágrimas que se confundiam com os sorrisos por ter triunfado mais uma vez. Impossível não se comover. Junto com a dor veio o esclarecimento, veio a satisfação e o prazer de se tornar um atleta e um ser humano melhor.

Ao final desta prova ele me explicou outra coisa. “Tem um lance no esporte chamado devolução de humildade. Você entra triunfante, achando que vai se dar bem, que vai dar tudo certo, que você é realmente bom, tem que ser assim porque o psicológico conta muito em provas longas”. E continuou, “no decorrer do período o pneu da bike fura, o sol entra pelos poros, o pé começa a se contorcer dentro do tênis”. Essa é a hora da “devolução de humildade” do atleta. Ele tem que respeitar o que está acontecendo com ele, tem que diminuir o ritmo se for preciso, tem que se distanciar dos outros ou terá que desistir no meio do caminho (pelo que sei, no mundo dos atletas desistir é muito pior do que chegar por último).

Então, me lembro dos relacionamentos, entramos triunfantes achando que tudo vai dar certo. As provações nos desviam no meio do caminho. O importante é respeitar o que está acontecendo e o que você está sentindo.

Tenho comigo um aprendizado para a vida inteira, quando estiver se sentindo vitorioso lembre-se de uma coisa: Nem sempre será assim. E quando estiver sentindo dor, o pensamento continua sendo o mesmo. Nem sempre será assim. A alegria e a dor, cada uma ao seu tempo, uma hora chega ao fim.
Comentários () // permalink
08/10/07 19:34
Confissões de adolescente

A escritora americana Margueritte Yourcenar escreveu o livro “Os 33 nomes de Deus” e os elencou em forma de felicidade. O pôr-do-sol, um olhar e tudo que ele olha, mar de manhã, sono na cama, banho de mar, ganhar aquele esperado beijo...

Felicidade é isso e mais um pouco. É uma seqüência de acontecimentos ao qual não se oferece nenhuma resistência. É aquilo que os estudiosos chamam de sincronicidade da vida, popularmente conhecido como coincidência. O estar na hora certa, no lugar certo, com a pessoa certa.

É bom sentir-se como um adolescente, daqueles que não perde tempo se amargurando e que conseguem ver graça em tudo. É bom sentir as borboletas no estômago, mais conhecidas como frio na barriga. Os adolescentes provam dessa deliciosa sensação quase sempre. Os adultos se podam. Resgatar essas sensações ou elas te “tomarem de assalto” quando menos se espera é uma maravilha. E você, já adulto, volta a sonhar acordado. É como a descoberta de que a felicidade é realmente algo bem simples.

Já dizia o poeta Vinícius que é melhor ser alegre do que ser triste. Então quando estiver se sentindo maravilhoso, informe isso ao seu rosto. O sorriso abre portas, covinhas e corações.

Comentários () // permalink
05/10/07 18:45
Tropa de Elite



O filme mais quente e comentado dos últimos tempos chegou ao cinema. Tropa de elite fala sobre a guerra entre os traficantes e a polícia no Rio de Janeiro. Aqui, falemos sobre as batalhas no amor. Aquelas que mudam a vida para melhor ou para pior.

Dizem que amor e ódio são dois lados da mesma moeda, que a linha divisória entre eles é tênue. O estopim para o início da guerra amorosa pode ter mil facetas. Traição, fim de caso, vontade de brigar, pavio curto ou até mesmo um erro vulgar. Correr atrás dos erros, assim como dos traficantes, não é coisa para aspirante porque dá trabalho.

O fato é que a maioria das pessoas não gosta de guerra. Quem vê de fora, acha os casais patéticos s porque guerra é algo que foge da esperteza. Algumas relações que vejo são assim, os casais vivem brigando e não se separam. É um emaranhado de ódio e vingança porque a vida conjugal é um tédio. O importante nesta batalha é tornar a vida do outro um inferno. Ver quem morre mais miserável. Na relação é negociar ou, como polícia e bandido, trocar tiros. Ficar em paz depende de um equilíbrio delicado.

Nos relacionamentos, assim como na polícia, quem faz tudo direito sempre se dá mal. Honestidade, aquela prática que deveria ser intrínseca a todo ser humano, virou qualidade. A guerra cobra seu preço e quando fica alto demais é hora de pular fora. Se a hora passar você pode perder a última chance de sair inteiro.

Sobreviver talvez seja a única glória da guerra. Eu confesso: já entrei em algumas que me pertenciam e que não me pertenciam e sobrevivi. Aqui no meu canto, ainda acredito que sobreviveria até mesmo a uma guerra nuclear. Como dizia Raul Seixas, a guerra é produto da paz. Quem disse que a vida é fácil?



Comentários () // permalink
04/10/07 20:58
As pontes de Madison

Revejo “As pontes de Madison”, no filme um fotógrafo é contratado para fotografar as belas pontes do condado de Madison e acaba se envolvendo com uma dona de casa que reside no local. Robert e Francesca são seus nomes. Francesca se casou com um soldado e cria os filhos naquele local onde pouca coisa acontece. Ela vive porque acorda todos os dias e não porque tem sonhos. Ela conheceu Robert por acaso e eles se apaixonam, mas ela é casada.

O filme fala sobre escolhas. A dela é fugir com Robert ou ficar com o marido. Li uma crítica sobre o filme em que as seguintes perguntas são colocadas em questão:

O amor, tal qual o conhecemos, sobrevive à rotina?
É possível ser feliz após ter detonado a vida de uma porção de pessoas para alcançar a esperada felicidade?
O passado pode ser esquecido como se queimássemos uma folha de papel e jogássemos as cinzas pela janela?
É possível amar e não estar com a pessoa amada?

Na cena final do filme, Robert tem que ir embora do condado, e encontra Francesca com uma expressão distante dentro do carro enquanto o soldado, marido de Francesca, faz compras. A cena se arrasta e Francesca vê Robert, ela segura a maçaneta da porta do carro com muita força pensando se desce ou não. Na verdade, ela espreme a maçaneta. A cena é de cortar o coração. Ela quer descer do carro, ela quer correr na chuva para os braços de Robert, mas ela não desce. Como eu torci para a porta daquele carro abrir e vê-la descendo (continuo torcendo mesmo sabendo o final do filme).

Ninguém entra em uma história de amor esperando a infelicidade. É uma aposta. É acreditar. Alguns arriscam para obter vitória, outros para obter amor. Nunca realizaremos sonhos se não arriscarmos alguma coisa. O segredo é não arriscar o que não pode perder. Quando se aposta alto, se joga alto. E você, o que está disposto a arriscar por amor?
Comentários () // permalink
03/10/07 12:02
A solteira - The Bachelorette

Não sou fã de conclusões precipitadas, mas previ, aqui no blog, o final do programa de TV americano “The Bachelorette” - a bela que escolhe um entre 25 cavaleiros.

Eram dois finalistas. O moço bonzinho de armadura reluzente que saiu do programa magoado e com o coração partido porque ela escolheu o rapaz por quem tinha atração física, a famosa química. Assisti ao episódio “lavagem de roupa suja” que ocorreu três meses após o final do programa ter ido ao ar. E ela já não estava mais com o escolhido.

Entre espadas, adagas e punhais, todos queriam saber os porquês do fim do relacionamento. No meio de muitas perguntas constrangedoras, ela tentava explicar o inexplicável. “Às vezes o amor não acontece”, ela disse. Achei que depois esta frase, não era necessário mais nada. Quantas vezes na sua vida todos os pré-requisitos necessários para o amor acontecer estavam ali presentes e a amor não aconteceu?

No amor é assim, a gente não escolhe de quem vai gostar. A fórmula agora parece mais simples: a gente não procura o amor. O amor acontece.
Comentários () // permalink
02/10/07 12:00
São dois pra lá, dois pra cá

Você provavelmente já foi a alguma festa ou reunião entre amigos em que os homens ficam de um lado e as mulheres do outro. Não estou falando de separação proposital, é algo intrínseco a estes encontros. Ninguém precisa falar: homens deste lado, mulheres daquele. Ao chegar, as pessoas já sabem que cada um tem o seu lado, assim como aqueles programas de namoro pela TV.

No lado dos homens eles se batem, se xingam, bebem whisky, falam sobre mulheres (não sobre as suas), discutem futebol e dão risada. Parecem se divertir de verdade.

O lado das mulheres parece ser mais calmo (para não dizer tedioso), elas ficam de olho nos filhos, comem pouco porque comer engorda, bebem pouco (onde já se viu mulher passar vergonha?), falam de bobagens importantes como os novos sapatos e bolsas disponíveis no mercado e controlam a quantidade de álcool que seu homem consome. Parecem também controlar sua tolerância a cada drink que desce goela abaixo do lado de lá.

De hora em hora, os lados se encontram para ver se está tudo bem. É uma simples conferência, nada vai mudar. O esquema namoro pela TV continua e isso me lembra um slogan que dizia “cada um na sua, mas com alguma coisa em comum”. Deve ser. O outro slogan da mesma marca dizia “é uma questão de bom senso”. Será?

Comentários () // permalink

 

RSS (o que é isso?)
Julia Duarte
Este blog conta histórias e acontecimentos sobre o universo dos relacionamentos. São os reflexos de uma mente quase imperfeita. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. Ou não...  
Revista Criativa
Blog da Redação
Blog do Homem sincero
Blog de Viagem
Blog Vista,sim!
Criativa no Orkut
Copyright © 2007 - As mensagens postadas na seção reservada aos comentários são de responsabilidade única e exclusiva de seus autores.