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| 10/10/07 22:15 |
Nós
Cada um morre um pouco quando alguém, na distância e no tempo rasga alguma carta nossa. A carta perde todo o sentido, ela não diz mais nada. Sábias palavras de Rubem Braga.
Às vezes a gente se pergunta se aquelas cartas que enviamos ainda estão inteiras. Vivas, ainda que na memória de alguém. Penso em você e sei que minhas cartas e aquela fotografia foram destruídas. Não por você, por ela. Sei o quanto era difícil ela ver a felicidade estampada ali ao lado do seu criado-mudo. Era normal que ela as rasgasse assim que sai de cena. Eu disse normal, não aceitável. Ninguém tem o direito de destruir a história de ninguém. Nossa liberdade termina onde começa a do outro. Mas vai explicar isso para uma mulher ciumenta.
Como eu tenho a certeza de que ela rasgou tudo? Ela nunca suportou sequer me ver. Ela até tentou conversar comigo para disfarçar a raiva e não conseguiu. Eu consegui. Não que isso seja um grande mérito. Lembra daquele comercial que dizia “potência não é nada sem controle?”. Foi o que fiz naquela noite, me controlei. Quem deveria ter fúria ali era eu que fui trocada por ela. Você odiou ela ter vindo falar comigo. Eu também. Você bem sabe que foi atitude de amadora e que eu jamais faria qualquer tipo de escândalo. Tenho pavor de mulher que faz “barraco". Meus únicos crimes foram: ser convidada para a mesma festa que vocês e ter gostado tanto de você ao ponto de, no fim, amaldiçoá-lo desejando que sua vida se enchesse de advogados.
Ainda naquela noite vocês brigaram e de longe eu vi. Quer saber? Adorei, foi um grande espetáculo seus gestos rudes e as palavras duras com ela. Dormi feliz. Perder o respeito de alguém é algo que nunca mais se reconquista e foi isso que vocês conseguiram brigando daquele jeito. O tempo passa e o destino é mesmo irônico, chegou a vez dela te trocar por outro. Dói, não dói?
Não sei em que momento no meio deste caminho eu resolvi te perdoar, só sei que com o passar dos anos as coisas perdem o significado que tinham no calor do momento. Sei que nunca fomos o casal perfeito, mas éramos inseparáveis. Como nos divertíamos e como dávamos risada. Só pensávamos nisso. A grande piada fica por conta de seu nome que imita as batidas de um coração. Eu prometi que não ia mais cantar para você aquela música com o “turo” no refrão e que não ia mais desenhar nos vidros sujos do carro, mas não consegui. Seu nome, forte e lindo como o personagem da obra “Pergunte ao Pó” de John Fante. O início dele também descreve aquela sensação que tive depois do fim. Falta de ar.
Um dos meus escritores prediletos, Fabio Hernandez, diz para fugirmos dos reencontros amorosos, que eles só devem acontecer se foi um amor de mentira. “Se o final foi calmo, é porque não foi amor real”, ele diz. Nada foi de mentira, nada foi calmo no final. Três anos depois te reencontro. Eu poderia ter fugido do reencontro porque sempre temos a prerrogativa de querer isto ou aquilo. Não fugi e aconteceu exatamente o que já sabíamos que ia acontecer se nos víssemos novamente nesta ou em qualquer outra vida.
Te mostro a cópia daquela mesma foto que pousava em seu criado-mudo. Você me olhou com o sorriso saudoso de quem já não guarda a foto ao lado da cama. Ficou surpreso em saber que eu ainda guardara a minha, ainda que esquecida dentro do armário. Apesar de você não falar muito, eu conheço o seu sorriso e leio o seu olhar.
Nada mais me incomoda nessa história, mesmo porque fiz você voltar a sorrir. Sempre me alegrei em vê-lo sorrir. Emily Dickinson falou certa vez “se eu puder impedir que um coração se parta, não terei vivido em vão. Se eu puder aliviar o sofrimento ou diminuir a dor, não terei vivido em vão”. Irônico o destino me colocar no caminho da cura de seu coração partido. Espero apenas que você se lembre que um dia já despedaçou o meu. Tenho gratidão pelos dias bons e pelos dias ruins. Agora não dói como antes. A única coisa que ainda dói é saber que eu e você nunca mais seremos nós. Mesmo assim, nada foi em vão.
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| 12/10/07 15:25 |
Proposta decente
Falar bem de Frank Sinatra é tarefa fácil. Muito fácil. Todo dia era dia de festa ou celebração para ele e para quem estivesse em sua órbita.
Sinatra era um homem cheio de dons, sabia cantar, se divertir e maravilhar as mulheres. Não sei se eram os olhos pequenos e fascinantemente azuis, mas há algo naqueles olhos que é arrebatador. Não sei era o estilo de vida boêmio e fanfarrão de quem realmente se sente confortável com a vida. Não sei se era aquela voz pra lá de poderosa e radiante. Simplesmente não sei, mas ele tinha aquele ‘que’ que sempre fascina. Ele era puro flerte. Li que o Blue Eyes tornava quase todos os dias de suas mulheres inesquecíveis. Não duvido.
Para algumas mulheres (as que têm memória seletiva), são os bons momentos que fazem as lembranças de um relacionamento. O dia em que conheceu aquela pessoa, o primeiro beijo, aquele beijo tão esperado, ou indo mais além, o pedido de noivado.
Bárbara Ann Marx, “a mulher de sua vida”, segundo ele, foi pedida em casamento pelo cantor tal qual faria um ilusionista. Ela estava olhando em direção oposta quando ele jogou o anel de diamantes de dezessete quilates em seu copo de champagne. Para mim só o fato de compartilhar “o rei dos vinhos” com ele já valia uma vida, nem era necessário o anel. Colocando fim as minhas elucubrações sobre ele e voltando para a Bárbara, ela conta que já tinha tomado mais da metade do copo quando viu o anel. Achou que fosse um cubo de gelo. Como um ilusionista, ele tinha queda para surpresas.
Vinte anos depois ela declara: “Ele é um doce, brincalhão e amoroso, mas ele é um exército”. Deve ser tarefa difícil ser ex-mulher de Frank Sinatra, mas difícil mesmo deve ser o homem que entrou na relação depois dele.
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| 15/10/07 00:00 |
O beijo
O beijo é o inicio de tudo, se ele não funcionar o resto não funcionará, essa é a conclusão de uma pesquisa da Universidade de Nova York.
O estudo analisou reações e percepções de mais de 1000 pessoas sobre o beijo, 59% dos homens e 66% das mulheres disseram já ter descoberto, após o primeiro beijo, não estarem mais interessados em alguém por quem se sentiam atraídos anteriormente.
As mulheres dão mais importância aos beijos do que os homens. Os homens utilizam o beijo como ferramenta para aumentar a possibilidade de se envolverem em uma relação sexual. Eles estariam mais propensos a ter sexo com alguém sem beijar ou com alguém a quem não se sente atraídos ou ainda com alguém que consideram não beijar bem. Quero deixar claro que as frases acima são dados conclusivos de uma pesquisa e não dos pensamentos deste cérebro quase imperfeito que vos escreve.
Diferentemente dos homens as mulheres consideram o beijo importante ao longo de todo o relacionamento, para eles o ato perde importância com o passar do tempo. Se eu escrever aqui que o beijo é uma forma de diálogo, vai ter homem dizendo: pronto, já sei, é assim para a mulher poder falar mais. Pode reparar, quando sua relação começa a naufragar não é o sexo e as palavras que diminuem e sim os beijos.
Tem um episódio do seriado Sex and the City em que uma das personagens está encantada com um moço. Ele é doce, educado, bonito, mas (sempre tem um mas...) beija mal. As amigas tentam a todo custo convencê-la que sem o beijo não adianta tentar o resto. Eu acredito que o beijo pode ter um efeito profundo sobre o futuro de um relacionamento. E você?
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| 16/10/07 00:00 |
Desculpas esfarrapadas
Atire a primeira pedra quem nunca inventou uma desculpa esfarrapada para ligar para alguém. Tem troféu para isso? Tem gente que deveria ser eleito rei ou rainha por transformar reles telefonemas em grandes conversas.
Quem está do lado de lá da linha também precisa ter segundas intenções, senão sua “conversinha” não funciona. Uma amiga comprou um carro e se interessou pelo vendedor da loja. No dia seguinte, ligou para falar que o carro estava sem o protetor de cárter (aquele invólucro metálico que encerra o mecanismo de propulsão), em outras palavras, o carro anda normalmente sem a peça, mas ligar e pedir a ajuda dele era i-m-p-r-e-s-c-i-n-d-í-v-e-l! Ele a convidou para sair.
Eu já liguei para um ex-namorado para falar sobre carro. Chovia e eu queria saber se podia dirigir com o pneu careca na chuva. Ele me respondeu: “Não, quando chove a gente pára nos boxes e troca os pneus. Você está com seu carro de F1 no trânsito?” A ironia dele rendeu boas gargalhadas e uma bela noite regada a vinho.
Criatividade é inventar, experimentar, correr riscos, quebrar regras e a cara, cometer erros e se divertir no meio do caminho, porque no fundo é isso que importa. Subestimar nossa própria inteligência, algumas vezes, é fundamental para termos momentos de pura alegria. A sabedoria dos crocodilos consiste em verter lágrimas quando querem devorar, talvez a das mulheres seja a mesma.
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| 17/10/07 00:00 |
Apenas mais uma de amor
O telefone tocou às 23h00. Era uma amiga que tinha saído com um futuro pretendente. Estava apreensiva porque nunca se sabe se encontros com desconhecidos podem acabar com você boiando no Rio Tietê. Do lado de lá ela solta pacientemente a frase: “Estou indo dormir, o encontro foi um fiasco”. Falo para ela: “Bad Robot” e começamos a rir.
Explico. Bad Robot é o nome da produtora do seriado LOST. Ao final de cada episódio aparece um robozinho e a voz de várias crianças ao fundo gritando Bad Robot. Aquilo é uma graça e quando algo vai mal em nossas vidas, soltamos estas duas palavras. Parece consolo, e é porque elas sempre vêem sucedidas de gargalhadas.
Depois da piada quero saber o que saiu errado. Ela diz: “Sabe aquele papo que te dá sono?”. “Claaaaro que sei, você faz um esforço descomunal pra conversa fluir e não rola”, respondo rápido para ela continuar. E ela: “Então, o cara não é chato, é educado, mas eu estava me esforçando demais pra manter a conversa”. “Odeio caras do tipo X-Man, que se transformam no meio de um encontro, o que você acha que deu errado?, pergunto. “Acho que ali nem apertando a tecla SAP ele iria me entender, eu ficava tentando me explicar e ele olhando pro lado ”, ela fala para depois concluir “passei tanto tempo querendo sair com ele, eu agora desisti do cara”.
Achei uma pena o encontro dela ter dado errado, estava na maior torcida. Ouvi uma música do Tom Jobim que diz que a ilusão é feita de esperança. A verdade é que conforme vamos ficando mais maduras as ilusões caem por terra mais facilmente. É como aquela história de que o diabo sabe mais simplesmente porque é mais velho. A esperança continua porque no fundo sabemos que um dia a sorte e a coincidência ainda vão andar lado a lado e, nessa hora, não será necessário fazer nenhum esforço.
P.S.: Para ver o Bad Robot: http://www.youtube.com/watch?v=t5IF0K-PJFQ
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| 18/10/07 00:00 |
Menina Veneno
Releio uma entrevista com a apresentadora da MTV Marina Person. Ela é o tipo de mulher que parece ter algo decente para dizer. Além de inteligente apresentava há alguns anos, um programa que revelava os segredos das mulheres. O “Menina Veneno”.
Ela conta na entrevista que já sofreu pra caramba com relacionamentos e que já aconteceu de começar a ficar com alguém e simplesmente o cara sumir. Aí se você é mulher e já passou por isso, se pergunta: “O que eu fiz de errado?” ou “Por que ele não gostou de mim?” Esse é o tipo de pergunta sem resposta, como quase todas feitas em relacionamentos.
Para onde os homens vão quando somem de sua vida? Você deve reportar o desaparecimento às autoridades competentes? Procurar o cidadão no buraco da camada de ozônio ou no triângulo das bermudas? Alguns homens têm este dom. Fazem a mágica do desaparecimento parecer uma grande surpresa para quem não espera por ela. Talvez eles sejam parentes do Houdini.
A verdade é que quando somem sem deixar uma boa explicação devemos agradecer. Existe algo de errado com eles e não conosco. Se você parar para pensar, quem ficou sem explicação sempre será livre de todas as formas que o outro nunca será.
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Julia Duarte |
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| Este blog conta histórias e acontecimentos sobre o universo dos relacionamentos. São os reflexos de uma mente quase imperfeita. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. Ou não... |
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