20/10/07 11:17
One night stand

A expressão em inglês “one night stand” significa algo do gênero “uma noite e nada mais”. Não estou falando de beijos e sim de sexo. No universo masculino a idéia parece mais clara do que no feminino. Mulher precisa de envolvimento emocional, nem que seja ínfimo, para decidir ir adiante com alguém. Homem precisa apenas de um lugar.

Li uma pesquisa no site Yahoo dizendo que 49% das mulheres esperam um telefonema no dia seguinte a um encontro que envolve sexo. O fato é que as mulheres precisam estar preparadas para nunca esperar um telefonema, um e-mail, um sinal de fumaça ou a visita do pombo correio nestes casos. Caso tenha qualquer tipo de expectativa é melhor ir dormir sozinha.

Tem um episódio do seriado “Sex and the City” em que a personagem principal conhece um francês em um restaurante. No dia seguinte ele iria de volta para a França e ela decide passar a noite com ele. Quando acorda no quarto de hotel vê um envelope ao lado da cama. Ela acha que é um bilhete dele se despedindo, mas encontra U$ 1.000. A intenção nunca é ganhar dinheiro e ela fica perplexa, com toda razão. Uma das amigas explica que sexo, assim como ter dinheiro, é poder. E a aconselha a se feliz e ir comprar sapatos com a grana.

As coisas no “one night stand” são o que são. Aceitar o que a vida te oferece naquele momento pode ser um tremendo golpe de sorte. Se acordar com um envelope com dinheiro ao lado da cama, vá comprar sapatos. Com a cútis reluzente, o cabelo brilhando e um gigante sorriso no rosto, de preferência.
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22/10/07 19:38
Serial dater

Li o termo “Serial Dater” em alguma revista (não me lembro qual e estou começando a achar que inventei o termo), que significa “namoros em série”. Pessoas viciadas em compromissos, em ter alguém por perto.

Tem gente que emenda um namoro no outro, não processa os erros, tão pouco os acertos e parte para a próxima aventura. Como é que uma pessoa pode sobreviver a tantos começos e fins de relacionamentos? Se você se envolve e termina, dói. O serial dater não tem tempo para a cura. Aliás, nem pensa nisso, já vai despejar suas expectativas de afeto em um outro alguém.

O ciclo repetido faz com que esse tipo de pessoa se lance em uma eterna busca que, provavelmente, nem ela sabe qual é. Já ouvi mulheres e homens dizendo que é bom ter alguém para compartilhar as coisas, as conversas e os afetos. Concordo, mas quando não tem ninguém por perto, é mais fácil ficar com qualquer um?

Vejo muitas mulheres fazendo isso, Jennifer Lopez, por exemplo, já namorou ou casou - em tempo recorde - com modelo, rapper, bailarino, ator e cantor. O que ela tanto busca neles? Isso parece mais uma armadilha emocional do que um relacionamento saudável. Em contrapartida, uma personagem do seriado Sex and the City dizia que tinha fobia a compromisso e que deveria ser colocada em um tubo de ensaio e enviada para análise em laboratório porque mulheres, supostamente, devem querer compromisso com alguém.

Quando estiver sozinha e sem perspectiva de companhia, vai cantar no chuveiro ou dançar na chuva, grite na rua ou na sua sala de estar, vá para o bar afogar as mágoas, ligue para um amigo. É bacana ter alguém, mas lembre-se que ter alguém não vai te livrar dos problemas. Aliás, vai te trazer mais alguns problemas.

O que se busca nunca será encontrado do lado de fora ou no outro. Será sempre encontrado do lado de dentro, mas essa é uma jornada que não podemos delegar a ninguém, é uma viagem que só pode ser feita por nós mesmos.
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23/10/07 22:05
Troca de casais

Trocar ou ser trocado por alguém? Nenhuma das opções é boa. Quem troca sofre por deixar o outro. Quem é trocado sofre porque foi deixado.

Este final de semana, em uma roda de amigos, descobri qual é o pior temor de um homem ao ser trocado por outro. Ele simplesmente não quer que o outro seja melhor do que ele. No universo masculino ser melhor significa ter mais dinheiro, ser mais bem-sucedido profissionalmente ou ter mais poder. Se deparar com uma situação assim aniquila qualquer homem que foi deixado. É nocaute na certa. Para as mulheres nada disso importa.

No universo feminino o pavor é ser trocada por outra mais bonita ou mais magra. Nós torcemos para a outra ser um tipo comum e bem simples. Tem mais, a mulher vai atrás para saber quem é a outra fulana. Ainda que não faça nada, ainda que não fale nada, ela tem que olhar na fuça da outra e comprovar suas teorias sobre a beleza alheia ou, se Deus permitir, a falta dela.

O que está em jogo aqui é a auto-estima. A atriz Jeniffer Aniston no auge de sua beleza ficou abaladíssima ao ser trocada por Angelina Jolie. Bom, quem em sã consciência não ficaria? Se você é trocado por alguém “meia boca” pode fazer a tentativa de manter a auto-estima intacta, ainda assim é um jogo difícil. Se você é trocado por alguém deslumbrante ou poderoso, pronto, haja noites de insônia pensando no que eles estão fazendo juntos e no que você fez de errado.

Nós sempre sabemos o que nos agrada e o que nos dói. Não adianta nada alguém te dizer que você é bem melhor do que a (o) outra (o), que você é mais inteligente, que tal pessoa não te merecia, porque peixe é peixe, boi é boi e peixe-boi é outra coisa. Qualquer tentativa de amenizar com palavras os danos na auto-estima vai te levar do nada a lugar algum. Quando o tempo passar, você vai agradecer por terem tirado ou por tirar de sua vida pessoas que estavam com o prazo de validade vencido.


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24/10/07 20:25
Museu de relacionamentos fracassados

A recente abertura do “Museu de Relacionamentos Fracassados” em Berlim, na Alemanha, nos mostra como o amor perdido é uma história universal. A exibição itinerante solicita às pessoas comuns a entrega de seus antigos pertences relacionados ao amor ou a falta dele para o museu. Obviamente, a coleção de obras cresce a cada semana porque manter por perto objetos relacionados ao outro é o avesso de qualquer esforço que você possa fazer para ser feliz.

Cada objeto ali deixado vem acompanhado de uma explicação. Um machado. O moço explica que ela foi a primeira mulher que ele deixou ir morar com ele porque achou que deveria deixar as pessoas se aproximarem mais. Ele viajou a trabalho por três semanas e na volta ela estava com outra. Imaginei que o machado era para cometer homicídio doloso, mas não era. Ele ficou com toda a mobília da moça e a cada dia destruía um móvel. Ele explica que quanto mais pedaços de madeira via, melhor se sentia. Quando ela foi buscar a mobília tudo estava organizado em fragmentos e pilhas de madeira. Para quem gosta de uma boa vingança, esse foi um prato cheio e saboroso.

A co-fundadora do museu explica que a mostra funciona como uma terapia porque os objetos podem ser removidos ao museu para “convalescer”. Nelson Rodrigues dizia que convalescer é o que faz a doença valer a pena. Acredito que deixar o amor convalescer e andar para frente é o que faz a vida valer a pena.


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25/10/07 18:45
O inferno são os outros

O ex-beatle Paul McCartney comparou seu amargo processo de divórcio de Heather Mills a atravessar o inferno. Quando questionado sobre ter se arrependido ao ter casado, o cantor disse: "Passar pelo divórcio é muito doloroso. Se eu não mantiver um silêncio a respeito disso, perco a idéia de ser digno". Passar por esta experiência e conseguir dar este tipo de declaração não é para qualquer um.

No divórcio os sentimentos podem ficar bem feios. As tentativas de acordos extrajudiciais entre Paul e a ex foram abandonadas sem sucesso há muito tempo. Ter dignidade quando você quer mandar o outro "catar coquinho" (para não dizer outra coisa) é tarefa para poucos.

Já pude presenciar alguns acordos de divórcio e eles nunca vão adiante quando o que sobra de uma relação de amor é o ódio. Casais brigam até por vasos com plantas mortas, brigam para ver quem sai mais miserável financeiramente e emocionalmente da relação. Quando o ódio prevalece é só isso que importa.

Wiston Churchill disse “se você está atravessando um inferno, vá em frente. A única solução é continuar digno.” Manter-se nobre em uma situação como esta é uma virtude. Uma dádiva, até. Sartre, no fundo, tinha razão quando dizia o inferno são os outros.



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28/10/07 14:35
Partituras da vida

O grande escritor barato, Fabio Hernandez, costuma escrever que não existe um grande amor sem uma grande música para marcá-lo. Ele vai além, diz que se não existe a música é porque não existe nem existiu o amor.

Quase todo mundo tem uma letra de música que remete a alguém ou algum momento amoroso importante. Aquele repertório que vai de “Eu sei que vou te amar” de Tom Jobim a “Sexual Healing” de Marvin Gaye. Ainda nos programas de rádio tem sempre aquele “alguém oferece-uma-música-para-alguém-e-esse-alguém-sabe-quem”. Então, as músicas se tornam pequenas declarações de amor entre os casais.

O inverso também ocorre, há vasto material musical para as dores de amores. Aquelas que você não precisa dizer nada quando lhe faltam palavras. A música fala por você. Normalmente, em fim de caso as pessoas se comportam mal. “A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafios”, palavras sábias de Martin Luther King. Nos momentos de crise a verdadeira personalidade das pessoas aparece.

Escuto a música Boa Sorte/Good Luck de Vanessa da Mata &Ben Harper, “Não tem mais jeito, acabou, boa sorte. Não tenho o que dizer, são só palavras e o que eu sinto não mudará. Tudo o que quer me dar, é demais, é pesado não há paz...”

Um bom encontro precisa de paz. Onde não há paz não se estabelece o amor, se estabelece neurose. Um bom encontro precisa de dois. Senão, é mero desencontro. Como diz o ditado inglês “It takes two to tango”. São necessárias duas pessoas para dançar um tango. E claro, se você puder contar com ela, um pouco de sorte.

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