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| 29/10/07 20:45 |
Green Eyes
Chris Martin, vocalista da banda Coldplay, é o tipo de cara low profile. Apesar de ser líder de uma banda de rock, ele é discreto. Não gosta de aparecer na mídia para entrevistas sobre sua vida pessoal. Ele adota a postura sou-meio-distante-do-mundo, mas sei o que quero e faço.
Dizem por aí que a letra da música “Green Eyes” é uma homenagem a sua mulher, a atriz Gwyneth Paltrow. Ele não confirma. A letra parece piegas, mas é uma belíssima declaração de amor. Ele diz que ela é a rocha sobre a qual ele fica em pé. Os olhos verdes são refletores de luz que brilham. Ela é o mar sobre o qual ele flutua. E que não pode nunca seguir adiante sem ela. Finaliza dizendo que espera que ela entenda tudo isso. Falar e o outro entender é uma das dádivas em um relacionamento.
Depois de ouvir a música estou aqui pensando que amar não é seguro porque você nunca sabe se será o mesmo novamente. É difícil ser firme quando se está vulnerável. Amar também é nunca se sentir preparado e mesmo assim continuar porque continuar é o que nos faz crescer. Assim como faz Chris Martin, que segue cantando uma das músicas mais bonitas da banda que fala sobre a essência da vida: o amor.
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| 30/10/07 22:11 |
Mensagem de texto
Nossos celulares hoje em dia só faltam falar conosco, são muitos os aparatos e é enorme a gama de opções disponíveis nos aparelhos. Porém, quando sua caixa de textos esgota o número limite de mensagens, só te resta apagar as que estão ali guardadas. Todas aquelas mensagens contam pequenas histórias da vida cotidiana, podem ser lidas a qualquer momento, mas não armazenadas eternamente.
O moço, são-paulino, estava saindo de casa sozinho e vestia uma calça jeans estrategicamente rasgada para ir ao estádio ver um jogo de seu time (aquele time que todo mundo tenta, mas só ele é penta do Brasileirão). Depois do jogo, iria comemorar a óbvia vitória com os amigos. Ele estava simplesmente irresistível, com os cabelos molhados, um charme. Ela estava indo encontrar com as amigas. Logo, cada um ia para um lado.
No início da noite, ele recebe o recado no celular: “E a calça rasgada, fazendo sucesso no bar?” De forma leve e engraçada, ela mostrava que estava preocupada com o “salve simpatia” andando sozinho por aí, fato que despertou muitos risos nos dois. Ela estava alimentando o monstro de olhos verdes tão bem descrito por Shakespeare, o ciúme. A mensagem veio rápida de volta: “Só você mesmo...linda!” Ela sorriu novamente e largou o telefone de lado, não havia motivos para preocupação.
Aquela mensagem ficou ali, ela releu algum tempo depois e a deletou. A vida tem que ser assim, quando você apaga o velho, dá espaço para o novo entrar. O que realmente importa fica gravado na memória e não no celular.
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| 04/11/07 21:58 |
Revanche
Ganhei de um amigo um quadro do filme Kill Bill, um dos meus prediletos. A frase que define o filme é esta: “A roaring rampage of revenge”. Algo que eu definiria como uma vingança violenta e estrondosa.
Ouvi outro dia que a melhor parte da vingança é o planejamento e não o resultado. Beatrix Kiddo, personagem de Uma Turman no filme, queria “it all”. Tudo. Planejar e se deliciar com o resultado.
Você já teve vontade de se vingar de alguém com quem se relacionou? Algumas vinganças são importantes, mas também tem gente que merece a indiferença. Algumas são lights, não fazem mal a ninguém somente despertam a inveja no outro. Algumas são engraçadas, porque você acaba fazendo aquele papel ridículo no meio da tentativa de se vingar. Algumas são cansativas, tem gente que fala ou se explica demais quando deve se calar. Algumas são necessárias quando claramente a pessoa te feriu de propósito, não há como não revidar. Porém, vingança é um prato que se come frio ou você mesmo corre o risco de se queimar.
Don Corleone, personagem do filme “O Poderoso Chefão”, tem seus métodos, diz que se tiver que machucar alguém o faz tão brutalmente que não há risco de outra vingança. Beatrix Kiddo pensa o mesmo. É o fim do círculo vicioso. Claro que ninguém precisa ir tão longe, mas existe alguma vingança ideal para aquele (a) que te feriu?
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| 05/11/07 20:07 |
Dose certa
Li uma matéria na internet sobre um garoto inglês de 13 anos que passou 10 deles sem falar. Voltou a se comunicar com as pessoas há poucos dias. Descobriram que ele tinha mutismo seletivo, só falava com algumas pessoas conhecidas. Ele me lembrou o garoto do filme “Pequena Miss Sunshine”, que também não falava. Tinha feito uma promessa.
Penso então, na brincadeira da “vaca amarela”, aquela que pulou da janela e quem falasse primeiro, já era. Uma vez, já adultos, tentamos brincar por 5 minutos dentro do carro, tudo que conseguimos fazer foi dar risadas. As mulheres sempre perdem neste jogo, porque não conseguem ficar quietas, sempre falam mais do que os homens. Tem pesquisa comprovando o fato, eles pronunciam 2.000 palavras a menos por dia.
Outro dia descobri que um amigo terminou o namoro porque a namorada, além de não beber quando saia, ela não falava. Mulher planta. O outro terminou porque não achava uma pausa ou uma vírgula nas sentenças da moça. Aquele pequeno espaço de tempo em que ele pudesse encaixar seus comentários ou estabelecer ao menos um diálogo. Mulher muda ou mulher matraca não dá! O ideal seria sempre o meio-termo. O famoso equilíbrio em que ambos falassem sem excessos.
Em casamentos a frase de impacto surge quando se ouve: “quem tiver algo contra este casamento que fale agora ou cale-se para sempre”. Momento tenso este, não? Deve ser por esse motivo que a palavra é de prata é o silêncio vale ouro.
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| 06/11/07 20:16 |
Truck or treat
A tradicional festa de Hallowen no hemisfério Norte faz as crianças passarem de porta em porta em todas as residências de seu bairro pedindo “truck or treat”. Um truque ou um agrado.
Fiquei aqui pensando que nos relacionamentos também poderia ser assim. Você começa a sair com alguém e a pessoa te pergunta: Você quer um truque ou um agrado? A priori bastava pedir o agrado. O truque poderia, ou não, vir depois.
Com o agrado, você não iria correr o risco do cara sumir para ir comprar cigarros e nunca mais voltar, de sofrer uma mutação e virar X-Men no meio da relação e também não ficaria nunca em dúvida se o cidadão é na sua vida um Roque Santeiro - aquele que foi sem nunca ter sido – são aqueles casos típicos em que você não sabe definir o status quo da relação.
Conheço uma pessoa que não erra nunca quem vai ficar com quem, quem vai casar com quem, quem vai terminar com quem. Ele olha os casais e parece saber as grandes verdades, este tipo de truque é sempre bem-vindo. O cara é quase um "guru dos relacionamentos". Até hoje nunca o vi errar.
Enquanto não podemos brincar de “truck or treat” nos relacionamentos, podemos seguir o truque que aprendi com o “guru” e que pode funcionar muito bem: Se você quiser sorrir, vai ter que me fazer sorrir. Parece justo.
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| 07/11/07 19:12 |
A nossa música nunca mais tocou
Vivemos tudo que era possível viver. Não tínhamos nada para reclamar e, no entanto, ainda reclamamos. Em nossa última conversa lembro apenas de ter proferido as palavras “não quero mais” e descer do seu carro sem olhar para trás. Nunca achei que um dia fosse falar isso para você. E, no entanto, foram tantas palavras descabidas de sua parte que não me restou nenhuma alternativa.
Nunca tivemos paz. Paixão faz isso com as pessoas. Vivemos tudo que havia para viver em um relacionamento sem base. Não, eu nunca fiquei com meu ex-namorado naquela festa. Se quiser saber o teor da conversa pela última vez, explico. Dizia a ele que estava apaixonada por você. Você, obviamente, não acreditou quando te contei e ainda não acredita. Não sou cigana oblíqua e dissimulada, como você me disse. Você descreveu o próprio olhar. Cansei de repetir que tenho aquilo que meu pai chama de juízo e meu irmão de bom senso. Agora, acredite no que você quiser, não vou explicar mais nada.
Você sim, me trocou por outra e eu ainda te dei outra chance quando ela te trocou por outro. Acho que tive dó, mas também ainda tinha paixão. Sentimentos que não combinam. Tivemos altas doses de adrenalina e de endorfina, mas uma delas foi fatal. E eu, repito mais uma vez, não fiz nada, fiquei apenas de espectadora no palco da vida enquanto você descarregava a dose fatal de adrenalina na minha frente. Todo mundo merece uma segunda chance. Concordo, as pessoas erram. Acredito que se você dá uma terceira chance para a mesma pessoa quem está errando é você.
Você não se cansa de errar? Cansei de fazer limonada com a enxurrada de limões que você me ofereceu. Não, eu já disse que não tenho mais nada para dizer a você. Não insista, não tente mais, você vai se dar mal. Eu já não tenho mais nada para viver ao seu lado. Nem o bom e muito menos o ruim. O seu muito pra mim é pouco.
Desliguei todos os aparelhos vitais da relação e vagarosamente os órgãos pararam de funcionar. Primeiro o coração parou de palpitar, de acelerar o movimento e de me acordar no meio da noite imaginando onde você estava, o que estava fazendo e com quem. O cérebro foi mais rápido, teve morte súbita com seu último e imperdoável erro. Você é reincidente e o que fez não tem mais perdão. O aparelho de som também foi desligado e silenciou. Aquela música, a nossa música, que dizia que até o seu sorriso me deixava sem graça, nunca mais tocou.
Guarde para você aquela conversa sobre respeito. Você não sabe o que isso significa. E insisto, não tenho mais nada para te explicar. O que eu sinto não mudará. Eu fui mais mulher do que você homem. A nossa música não vai mais tocar e eu não quero mais ver os seus olhos de ressaca. Acabou.
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Julia Duarte |
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| Este blog conta histórias e acontecimentos sobre o universo dos relacionamentos. São os reflexos de uma mente quase imperfeita. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. Ou não... |
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