09/11/07 14:05
Duas palavras

Gírias, modismos e ditados populares surgem o tempo todo. O que era moda uma época fica de fora em outra. As frases feitas também vão e vem. Mudam como as estações.

Antigamente, chamavam homens bonitos de ‘pão’. Depois, passou para ‘gato’. Mulheres bonitas podiam ser chamadas de ‘avião’. Hoje em dia, com o caos aéreo, pega mal. Tem broto, brota. Em épocas de funk carioca tem tchuchuco e tchuchuca. Quem nunca ouviu a frase: Aquela pessoa é um pedaço de mau caminho...

Tenho um amigo que descreveu, da melhor forma possível, aquele momento em que você fica sem palavras. Não sabe direito o que diz. Aquele momento em que você não sabe se vai ou se fica. Aquele momento em que você quer falar, mas não sabe o que dizer. Quer descrever algo belo ou feio, alguém, uma situação constrangedora e não sabe como fazê-lo. É simples. Diga apenas: “Tempo Loco”. Assim, sem a letra ‘u’.

Sabe quando você entra em um elevador cheio de desconhecidos? Pode prestar atenção, logo alguém dispara algo sobre o tempo. Como no Brasil você nunca sabe qual será a temperatura no minuto seguinte só te resta falar uma coisa sobre o tempo. Tempo loco.

O moço aparece e some? Tempo loco. A moça namora e está te dando mole? Tempo loco. O moço não sabe o que quer? Tempo loco. A confusão dele te confunde? Tempo loco. O moço conta vantagem sobre você? Tempo loco. Terminou namoro e foi pra a balada esquecer? Tempo loco. Beijou o dragão de Komodo? Tempo loco. Bebeu e perdeu a memória? Tempo loco.

Quando questionado sobre qualquer coisa ou suas atitudes, solte a frase: Tempo loco. Não se esqueça do olhar, é importante fazer uma cara meio blasé ou aquela cara irônica de “jura?”.

As duas palavras mágicas minam qualquer forma de argumentação, sempre que estiver perdido com alguma situação, use-as! Pode ser um bálsamo para a alma ou apenas que esteja passando por tempos loucos mesmo!



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13/11/07 12:00
Aquela festa de Reveillon

O pacote da Federal Express chegou logo pela manhã. Ela não estava esperando nada e levou um susto. Curiosidade atiçada, papéis devidamente assinados e pacote em mãos. “O que será que tem aqui dentro?”, pensou.

A curiosidade era enorme, mas ela entrou calmamente no elevador, andou pelo corredor para chegar em seu apartamento e se jogou na cama para abrir aquele pequeno pacote. O remetente não lhe causara nenhuma surpresa. Era ele, o homem que povoava seus sonhos e que morava muito longe. O cartão continha as palavras: “A festa é nossa. Venha logo, a espera me atormenta.” Dentro do pacote uma flor, uma passagem somente de ida para terras geladas e um convite para um baile de máscaras na noite de reveillon.

Uma semana depois, sem titubear, arrumou as malas e entrou no avião. Chegou cedo, 7 horas da manhã de lá, mas o reencontro ocorreu somente doze horas depois. Ele tinha compromissos inadiáveis no trabalho, estava construindo um novo navio para uma empresa norueguesa. No celular dele, ela deixara uma mensagem. “A festa está aqui. Já cheguei. Te espero."

Então, a noite chega e com ela surgem os braços, os olhos (ah, aqueles olhos azuis), os cabelos, a confusão dos corpos e mentes, luz, sombras, antes, durante, depois, sempre, beijos e mais beijos. As festas não podiam ter sido melhores. A do reveillon tinha o salão lotado, todos mascarados, mas ninguém naquele estado de alma em que os sentidos se desprendem das coisas materiais, absorvendo-se no enlevo e na contemplação interior. Eles estavam em estado de pura inspiração e entusiasmo e muito felizes.

Ao questionar que data voltaria, uma vez que a passagem era somente de ida, se espanta ao ver o namorado de joelhos, no meio do salão, com uma caixa preta de veludo nas mãos e um anel de diamantes. Então, recebe a resposta a sua pergunta: “Você veio para ficar! Casa comigo?”

Ela ficou mesmo sabendo que somente os diamantes são eternos. Felicidade é uma seqüência de acontecimentos aos quais não se oferece nenhuma resistência e tudo vale a pena quando as almas não são pequenas.


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