19/11/07 09:48
Chapa quente

Li há muito tempo que o ator Antônio Fagundes se casou com Mara Carvalho após a moça bater em seu carro no trânsito. Foi um acidente com final feliz (apesar não estarem mais casados e, talvez, por isso, o final feliz). O trânsito é um bom lugar para paqueras. Você está ali parado dentro do carro, sem fazer nada e há engarrafamento na hora do rush e em todas as outras horas do dia. Além de reclamar e cantar, você pode paquerar. Olhar quem está a sua volta também pode ser uma boa pedida.

Os italianos são grandes conquistadores e só podia surgir de lá a idéia de como levar adiante as paqueras ao volante. Inventaram um site onde as pessoas cadastram as placas de seus carros e se alguém te vir na rua e gostar de você, tudo que ela tem que fazer é ir para a internet, procurar sua placa e te mandar um recado. A idéia agora foi adotada por um site brasileiro, mas não sei se essa moda vai pegar por aqui.

Eleanor Roosevelt dizia que o único homem que jamais erra é aquele que nunca faz nada. Às vezes você pode estar no lugar certo, na hora certa e a oportunidade aparece. O risco de anotar a placa de alguém é apenas uma opção, não um destino. Sair no trânsito pode realmente começar a ficar muito gostoso...



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20/11/07 12:17
Razão e sensibilidade

As pessoas nunca entenderam porque nos separamos. Nem nós. Até hoje, quando me perguntam o motivo tenho dificuldade em explicar o que aconteceu. Eu costumo dizer que apenas nossas latitudes e longitudes não combinavam.

Na última vez em que conversamos você me falou que queria que eu tivesse tudo que sempre sonhei e desejei na vida. Você falava dos meus sonhos, aqueles que ainda não tinham sido realizados e daquelas minhas vontades impossíveis de serem concretizadas ao seu lado. Você sabia que era necessário nos separarmos. Você tinha razão e eu agradeço todos os dias por ter percebido no mesmo momento que você estava certo. É difícil dar razão ao outro quando você tenta defender seus sentimentos. Porém, naquela noite escura e chuvosa de outubro tudo ficou claro, um pouco patético e muito civilizado. Hoje acredito que sua atitude foi amor. Deixou-me livre para que eu pudesse viver os meus sonhos. Se te interessa saber, os tenho vivido intensamente.

Quebrar o dedinho do pé dói. Se separar de alguém quando ainda sobram sentimentos pra lá de nobres é uma das piores coisas da vida. Dói demais. Nossa última conversa durou oito horas. Eu sabia que não existia a chance de deixar para o dia seguinte. Não haveria dia seguinte para nós. Lembro da música do U2 tocando no DVD. Irônica a letra, não? “With or without you, I can´t live”. Com você ou sem você, eu não posso viver. Demos risada do quando a vida pode ser ingrata. Foram os únicos sorrisos naquela noite.

Tivemos que sair e tomar ar. Retomar o fôlego e quem sabe deixar a chuva levar a angústia embora. Parece clichê, mas lembro de olhar a imensidão do mar e saber que meu sentimento por você era tão grande quando ele. Lembro do som embargado da sua voz, do choro incontido e do seu pedido para ficar no último minuto. Era quase impossível negar algo aos seus olhos fascinantemente azuis. Eu neguei, mas ainda te carrego comigo em meu olhar. O fato é que a vida me esperava e eu estava atrasada para este encontro.

A decisão já tinha sido tomada, havíamos concordado que seria assim. Quem disse que por isso ficou mais fácil? Vi suas pegadas se distanciando e sumindo para não mais voltar, caí na areia derrotada. Não me lembro quantas horas depois consegui me levantar e atravessar a rua para voltar para casa. Eu não podia mais ficar, era minha vida que estava em jogo. Aprendi muito cedo que há duas coisas sérias com as quais não devemos brincar: com a vida e com os corações alheios.

Para o futuro, se eu pudesse te deixar um conselho seria esse: Começos são assustadores, finais são quase sempre tristes, mas é o meio que importa mais. Você precisa se lembrar disso quando estiver começando algo novamente. Eu também. Dê uma chance à esperança de se fortalecer e ela se fortalecerá. Penso bem pouco em você porque, se insisto, ainda dói. Faço isso porque sei que não me esquecerei de um único dia passado ao seu lado, pode acreditar. Nem dos assustadores, nem dos tristes e, especialmente, daqueles que importaram mais.



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22/11/07 11:48
Tudo ao mesmo tempo agora

Um amigo me perguntou se é possível gostar de duas pessoas ao mesmo tempo. Tudo que consegui responder foi: “É, acontece”.

Entendi a confusão que ele sentia porque estar neste teste ingrato de múltiplas escolhas. Gostar de alguém foge a regulamentos e definições do dicionário, você nunca sabe quando isso pode acontecer. Também não sabe se pode acontecer com duas pessoas ao mesmo tempo.

Isso já aconteceu com você? Comigo aconteceu e eu não soube o que fazer, no meio da confusão tomei a decisão que, hoje, considero errada. Agora já era, águas passadas não movem moinhos e o que vale é o aprendizado.

Depois de pensar, o alertei apenas para o fato de que uma hora terá que tomar uma decisão e seguir apenas um caminho. A encruzilhada vai chegar, ele vai olhar para um lado, vai olhar para o outro e a parte mais difícil será deixar as dúvidas de lado, abandonar um caminho e seguir o outro sem titubear. Nunca é fácil, mas ele só vai saber disso depois de passar pela experiência.

Não estou fazendo a menor apologia à traição, até porque não aturo corações levianos, mas você pode seguir por um tempo com duas pessoas enquanto não sabe o que fazer. Eu disse por um tempo, não o tempo todo porque vai ficar difícil sincronizar as palavras com as ações e as verdades com as mentiras. Por enquanto, apenas não considere doloroso algo que é bom para você. Tenho certeza que quando a hora chegar vai saber o que fazer.

Enquanto isso, fico torcendo para que tome a melhor decisão e que acerte. O mundo é grande, nosso coração também, mas foi feito para poucos. Woody Allen, no filme Crimes e Pecados, diz que nós somos a soma das nossas decisões. Infelizmente, não há escolhas sem perdas, mas somente as histórias que ainda não acabaram podem ter um final feliz.


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25/11/07 13:52
Na balada

Li outro dia no blog da Ana uma frase muito boa sobre baladas: “eu vou, mas só pra aumentar o repertório”. Ela explica que ela e uma amiga falam isso quando vão para a balada. Este final de semana, fui conferir como anda a balada em São Paulo, uma white party open bar, para ver se aumentava meu repertório para o blog e para a vida.

Algumas constatações me alegraram e outras me chocaram. Ainda existe muita gente bonita, interessante e disponível na cidade. Ponto para os solteiros. Vi apenas dois casais chegando juntos. No início da festa só tinha mulher no lugar. Um amigo me explicou que mulher é mais desesperada, chega mais cedo para sondar o local e checar quem vai paquerar. Lá pelas tantas, os homens começaram a chegar. Outra explicação do meu amigo. Eram homens comprometidos que tinham acabado de deixar a namorada em casa e apareceram livres, leves e soltos por lá. Vai entender...

Quando nosso interesse no local começou a diminuir, lá vem meu amigo de novo. Bebe mais uma caipirinha de saquê que as pessoas vão começar a ficar mais interessantes. O álcool entra em cena e o discernimento sai. Enquanto as garrafas de bebida iam esvaziando no bar eu notava que os casais iam se formando no meio da pista.

As mulheres são um caso a parte nesse cenário. Fazem caras e bocas, fazem o esquema “não-estou-nem-aí” e eu tive dó de uma delas em especial. Uma loira, alta, magra, bem cuidada, linda, parecia uma boneca. Todo mundo olhava para ela. As mulheres com inveja, muita inveja. E ela não olhava para ninguém, parecia um ser superior. Quando olhava era de cima para baixo.

A atitude da moça assustou os homens. Sabe quantos foram conversar com ela? Nenhum. Ela passou a noite toda sozinha. Parecia que ela queria escolher o cavaleiro da armadura reluzente que ia salvá-la do mundo. Tive vontade de falar para ela aquela frase do John Lennon que a vida é aquilo que acontece enquanto a gente faz planos. A vida estava ali, escancarada na frente dela, ela poderia se render ao inesperado e não fez nada. Eu não falei nada, achei melhor deixá-la perceber isso sozinha, assim ela aumenta o repertório da vida.

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27/11/07 11:56
Negócio fechado

Um amigo me falou hoje ao telefone que o sonho de todo juiz de Direito é que os acordos sejam feitos antes da audiência. E que o sonho de todo homem não é uma Masserrati na garagem, o que eles querem de verdade é que a mulher com quem estejam saindo tenha as mesmas expectativas que eles na relação amorosa.

Quando os dois querem namorar é fácil. Negócio fechado. Quando os dois querem só sair e curtir. Negócio fechado. Quando um quer uma coisa e o outro algo totalmente diferente começa a parte complicada da história e as argumentações para ver se alguém cede.

Como é que se explica para alguém que você quer continuar saindo, mas que não quer namorar? Na cabeça da outra pessoa surgiria a questão: Por que não sou ‘namorável’? Passei por isso, mas estava em sintonia total com o moço. Grande golpe de sorte. Nem com você e nem sem você. Fechamos um acordo com um sorriso largo no rosto e com um brinde. Eu diria que foi um momento emocionante saber que ele queria o mesmo que eu.

Tem gente que acha que no meio do caminho o outro pode querer mudar de idéia e fazer um “New Deal”. Novo acordo. Franklin Roosevelt, com o objetivo de recuperar e reformar a economia norte-americana implementou um série de programas nos Estados Unidos para tirar o país da ‘Grande Depressão’. Ele conseguiu. Será que nos relacionamentos é assim? O novo tratado em um relacionamento seria rever novamente a vontade das partes no meio do caminho para se estabelecer novos paradigmas?

Acordos sempre dependem de vontade, de boas vontades, e para ser selado o lance é se abrir e dizer o que você quer. Descobri que sorte é quase sempre previsível, se quisermos tê-la devemos nos arriscar e nos expor mais. O que vale são sentimentos e não as palavras, que quase sempre são traiçoeiras nessas horas.

Quando os desejos se desencontram não há saída, mas também não evoquemos a grande depressão. O negócio é aquela música antiga do Guilherme Arantes: Adeus também foi feito pra ser dizer. Bye bye.


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