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| 19/12/07 16:14 |
Fórmula do amor
“Fórmula do amor” é o nome de uma música escrita pelos cantores Leo Jaime e Leoni. A letra diz que eles têm a pose certa para conquistar, que aprenderam coisas nos filmes para usar um certo "ar-cruel-de-quem-sabe-o-que-quer" e têm tudo ensaiado para conquistar.
Shakespeare também inventou o filtro do amor na peça "Sonhos de Uma Noite de Verão". O tal filtro, chamado de "poção de duende", quando é pingado nos olhos de alguém, faz a pessoa ficar caidinha de amores pelo primeiro que passar. Já imaginou se fosse assim?
A ciência nunca tentou descobrir a fórmula do amor. Como dizem por aí, ficaria milionário quem a descobrisse. Na ciência tudo é. No amor, tudo pode ser e nada garante nada. A ciência apenas confirma os fatos que o coração descobre. Qual seria a graça do amor vir com fórmula?
Quando você começa a sair com alguém não sabe se acredita de verdade em tudo que ouve ou se acha algumas frases “pura conversa pra boi dormir”. Algumas são cheias de efeitos e podem “colar” ou não. A gente não sabe se acredita. Outras são espontâneas e estas são as melhores. A gente tem que acreditar. Gosto dessa: “adoro estar ao seu lado, atrás, na frente, em qualquer lugar, desde que a referência seja você”.
É sempre difícil distinguir a verdade da “conversinha” quando se está envolvido. O lance pode ser observar o outro e ter um pouco de sensibilidade. Eu disse pode ser. A verdade chega rápida quando vem do coração, mas para isso também não existe fórmulas.
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| 21/12/07 10:40 |
O evasivo
Li em uma revista americana uma matéria sobre os tipos de homens e como lidar com eles. Os cafajestes, os sedutores, os descasados, os solteirões e por aí vai. São todos tipos bem definidos. O que mais me chamou a atenção foi o evasivo ou como eu definiria “o homem tiro no escuro”. Se envolver com um tipo desses dá muito trabalho, você fica igual bala perdida vagando no escuro.
Num primeiro momento, ele pode passar por aquele cara que tem raciocínio sutil, mas a verdade é que ele foge dos assuntos. Depois de um tempo, você percebe que não sabe nada sobre ele e que por mais que pergunte as coisas ou tenha tentado saber mais sobre a vida do cidadão, a atitude é uma só: fugir das respostas.
Não estou falando de assuntos complexos, daqueles que você só fala se confia numa pessoa ou se está muito envolvido. Estou falando do básico. O evasivo se esquiva e se assusta até com o básico. E sem o básico fica complicado ir mais longe em um relacionamento.
Já sai com um tipo evasivo e é realmente cansativo. As perguntas mais simples se transformam em uma grande onda de mistério e você fica esperando Sherlock Holmes baixar em você para te ajudar. Você se enrosca achando que quer saber muito, que está atravessando fronteiras quando só perguntou se a irmã vai bem. E as respostas que consegue soam como “hummm”, “não sei”, “ah, mas você não está querendo saber demais?”. Algumas respostas podem admitir o sim e o não. Sua irmã está bem? Sim. Não. Simples assim.
A não ser que tenha bons amigos na polícia, você deve pensar duas vezes antes de sair com um homem evasivo. Ele parece nunca saber o que quer e quem não sabe o que quer não merece o que tem. No fim das contas, você vai perceber que tudo que ele pode deixar são marcas de impressões digitais em seu corpo e não onde realmente importa, no seu coração.
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| 26/12/07 12:16 |
O perdão
Ficar parada no trânsito em São Paulo tem lá suas vantagens. Outro dia estava em um táxi e o motorista demorou uma hora para atravessar uma ponte. Do lado de lá da avenida era o meu destino final, foi tempo suficiente para um bate-papo com o taxista.
Mr. Cab Driver me contou sua história de amor. Eu não sei porque todo mundo sempre me conta alguma história que nunca contou para ninguém. Ele me disse que foi traído pela mulher, que ela saiu com o vizinho, após doze anos de casamento. Me falou que a traição é algo inevitável. Perguntei então se ele havia traído sua mulher. Ele disse que não porque quando traímos um ao outro o caminho fica menos claro e depois não tem como se desculpar. Vira vingança.
Eu insisto e pergunto se não dá para reconquistar a confiança perdida, apesar de não acreditar que isso seja possível. Traição deixa feridas profundas, não tem como reparar o que foi perdido. Ele me disse é necessário fazer o que for preciso. Do whatever it takes. Dá pra fazer o que for preciso para recuperar a confiança de alguém?
Ele me disse que dá para o outro perceber o erro e se desculpar. Meio conformada que os finais são sempre trágicos e já chegando ao destino final daquela corrida, expliquei que no fundo somos todos sobreviventes do holocausto do amor. Ele reforça a idéia de que a traição não tinha sido o fim do casamento que tinha sido um novo começo, e que para recuperar o amor que das chamas virou cinzas é preciso esperar o tempo passar. O mais importante foi o pedido de perdão feito por ela. Ele finaliza cantando a música de Ataulfo Alves que toca no rádio e que diz que o perdão foi feito para a gente pedir.
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| 27/12/07 11:38 |
Os relacionamentos e o curry
O seriado americano mais inteligente sobre medicina e seres humanos chama-se Dr. House. Ele é um médico excelente, o melhor no que faz, diagnóstico de doenças, mas também é um cara difícil de se conviver, ninguém nunca sabe se pode confiar nele ou não e ele manipula tudo e todos. A ex-mulher não agüentou e o trocou por outro.
Cinco anos depois, se reencontram. Ela explica que a relação deles é como um vício, como vindaloo curry, um prato indiano picante, feito com dedo-de-moça. O prato é abrasivo, indigesto e duro de engolir. Se você adora curry, tudo bem. Pode até amar, mas se exagerar, fica com a boca ferida e vai querer passar muito tempo sem ver curry. Até que acorda um dia e pensa: “sinto falta de curry”.
Algumas pessoas não foram feitas para ficarem juntas, seguem adiante somente porque cismaram. Geralmente é assim que funciona. E geralmente as pessoas que tentam mudar ou se convencem que podem mudar são aquelas que amam o bastante para pensar nisso. A verdade é que ninguém consegue mudar. Dr. House nunca mudou e nem vai.
No fim do episódio Woody Allen é citado. O personagem dele, Alvy Singer, no filme Annie Hall diz que relacionamentos são irracionais e loucos. A ex-mulher de House diz que, além disso, ainda enfrentamos os relacionamentos porque precisamos de curry.
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Julia Duarte |
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| Este blog conta histórias e acontecimentos sobre o universo dos relacionamentos. São os reflexos de uma mente quase imperfeita. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. Ou não... |
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