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| 17/01/08 12:24 |
Californication
Californication é um seriado americano do gênero “Ame-o ou deixe-o”, não dá para ter uma segunda impressão, é pegar ou largar. O protagonista Hank é um sujeito de caráter duvidoso e um escritor famoso pelo livro God Hates us all. Deus odeia todos nós. Acho o título brilhante, uma tirada sensacional de ironia para quem está de mal com a vida, mas eu, no auge do meu otimismo, acredito na vida e em Deus.
Voltando ao personagem, ele é o ápice de um ser politicamente incorreto, vive bêbado, tem uma relação conturbada com a ex-mulher que o abandonou e uma filha adolescente de 13 anos.
No episódio que assisti, ele está claramente num mau dia. Briga com a atual namorada porque ela tem mania de dizer Lol - Laughing Out Loud - no meio das conversas. Ele acha que ela está detonando a língua inglesa, que aquilo é conversa para internet não para bate-papo ao vivo. Ele leva o tema para um programa de rádio onde foi dar uma entrevista, detona o Lol, ao vivo, em rede nacional, e conseqüentemente ridiculariza a namorada.
Enquanto isso, a filha se apaixona pelo professor de guitarra alguns anos mais velho do que ela. Ele não dá a menor bola para menina e nem percebe que ela faz o maior esforço para agradá-lo, desde a roupa que veste até a gravação de um CD para ele.
Existem alguns motivos justificáveis para odiar o protagonista, eu o adorei. No final do episódio, ele e a filha caminham pela rua e ela meio decepcionada com o fracasso de sua “quase-primeira-relação-amorosa” e com o universo dos relacionamentos fala para o pai: “Tomei um fora hoje e acho que sempre vai ser assim”.
“Eu também, minha namorada me deixou”, ele diz.
“Pai, quando vai parar de doer?”, ela pergunta.
Em uma sinceridade absurda e com a maturidade que só o passar dos anos pode trazer, ele responde: “Nunca”.
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| 15/01/08 20:17 |
Estrelas
Assisti ao desfile da grife de lingerie Victoria´s Secret. Teve música, glamour, modelos lindíssimas e animadas, mas o que mais chamou a atenção foi um homem, o cantor Seal. Ele é casado com uma das angels da marca, a modelo Heidi Klum. Seal é um homem pra lá de charmoso, é misterioso sem ser evasivo e o olhar dele para ela disse tudo, nem era necessário cantar.
A modelo, além de fazer parte daquele 0,5% da população mundial que já nasce com corpo de top model, é mãe de três filhos e apresentadora de um programa sobre moda. Além disso, também canta. Junto com o marido fez um dueto. Depois ele cantou sozinho enquanto ela desfilava vestida de anjo: I want you to always feel you’re amazing. Quero que você sempre se sinta incrível, dizia o refrão. Ele cantava olhando nos olhos dela. Cena bonita.
A estrela da noite era ela e não ele. Fiquei aqui pensando se todos os homens conseguem lidar, como Seal fez, com o fato de sua mulher ter muito sucesso na carreira. O contrário também me passou pela cabeça. Gisele Bündchen quando namorava o ator Leonardo di Caprio, indicado ao ‘Oscar’, foi com ele à premiação, no dia seguinte quando os editoriais de moda disseram que a roupa dela era sem graça, que ela estava apagada, ela respondeu: “A noite não era minha, era dele. Ele era o indicado, eu era apenas a acompanhante”.
Com o passar dos anos, acredito que algumas pessoas percebem que o que nos engrandece não é aquilo que tomamos, mas o que damos ao outro e isso inclui saber deixar o outro brilhar, ser a estrela. Vocês conseguem fazer isso?
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| 14/01/08 14:09 |
Quem sofre mais?
Uns dias atrás, fui almoçar com uma grande amiga e retomamos um diálogo que tivemos na praia. Conversávamos sobre quem sofre mais: o homem ou a mulher?
Tudo depende do ponto de vista, claro. Eu já reclamei com um amigo uma vez que as mulheres deveriam ganhar mais dinheiro do que os homens. Custa caro ir ao cabeleireiro, fazer unha, depilação, comprar bolsas e sapatos. A moda muda a cada estação e as mulheres, muito mais do que os homens, adoram o supérfluo. Aquilo que não precisamos , mas vamos comprar. Se fossemos todas budistas, sofreríamos menos. Meu amigo concordou e ainda falou da TPM, dos hormônios desvairados, da gravidez, dos quilos a mais, da celulite, da estria e por aí vai.
Voltando ao almoço, minha amiga relembrou as palavras do companheiro de praia dela. Ele comentou com a gente: “Vocês acham que é fácil ser homem? Imagina só, o cara vai para a balada, começa a beber e circular pelo local, ele tem que ver se alguma mulher resolve olhar para ele, depois se vai dar espaço para conversa, se der, ele tem que se esforçar para iniciar e depois segurar o papo, decidir qual é o melhor momento de beijá-la ou se é melhor nem tentar. E vocês dizem que é fácil ser homem? É muito difícil”.
E continuou: “A mulher sai de casa, chega na balada, olha para o cara que quiser e ele vai até ela, depois ela beija se quiser e se não quiser nada vai embora ou ainda manda o cara embora. Veja só, para as mulheres é mais fácil.” Detalhe, ele ainda não tinha ficado com ela, e provavelmente, estava com receio de soltar alguma besteira e assim comprovar sua própria teoria.
Achamos o comentário hilário e demos risadas e razão para ele na mesma hora. Depois me lembrei de uma música dos Rolling Stones que toca em todos os seriados americanos quando algo dá errado. “You can´t always get what you want”, diz o refrão. Você não pode ter sempre tudo o que deseja. Se servir de consolo, vale tanto para os homens quanto para as mulheres, mas isso não deve impedir ninguém de tentar...
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| 09/01/08 22:31 |
O ciúme
Algumas coisas na vida não voltam atrás. A palavra depois de proferida, a ocasião depois de perdida e a pedra depois de atirada. Vou incluir aqui uma crise de ciúmes depois de iniciada.
Ciúme é um negócio estranho. O monstro de olhos verdes, tão bem descrito por Shakespeare e que consumiu Othelo, me levou a perguntar para as pessoas se ele depende mais de nós mesmos ou do outro. Se depende de nossos comportamentos e ações ou das atitudes da outra pessoa. Se depende do nível de confiança que é transmitido em uma relação. O ciúme advém de insegurança ou da possessividade? A confiança em nós mesmos inspira a maior parte da confiança que temos no outro? É um sentimento de quem se sente ameaçado?
Sei que é um circulo vicioso, parece que existe uma linha de limite, uma barreira, que depois de ultrapassada, se torna cada vez mais difícil retornar ao ponto de partida. Acho que se você está neste papel, de qualquer um dos lados, se torna um prisioneiro. Ciúme é prisão perpétua. Você não se liberta e não liberta o outro. Claro que estou falando aqui de casos exagerados.
Entender o que pode ser o estopim para uma crise de ciúmes é tarefa para poucos. Você nunca sabe de onde ele vem, pode ter a intensidade de um terremoto, mas é algo que não dá para prever - como quase todas as coisas em relacionamentos.
Ainda tem os casos de monstros imaginários, onde nada de real acontece e a pessoa tudo vê em seus desvairados pensamentos. Você também nunca vai poder prever se vai ser traído ou não. Não adianta gastar tempo pensando nisto. O grupo Titãs tem uma música para os casos de paranóias delirantes que diz: “o acaso vai nos proteger enquanto eu andar distraído”. Deixe para o acaso aquelas coisas que você não tem como saber.
Acredito que o fator que sempre precisa ser considerado é a confiança. Em você e no outro. Sem ela ninguém anda para frente, somente para trás. Privar o outro de ter liberdade, do direito de ir e vir e de pensar o que bem quiser é como amarrar dois pássaros, eles terão quatro asas, mas nunca conseguirão voar juntos.
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| 08/01/08 14:06 |
O surto feminino
O pensamento dos homens é linear. Outro dia expliquei isso para uma pessoa que não concordou. “Nem todos os homens são lineares”, ele falou. Eu acho que no fundo são sim, ou eles querem algo ou não querem. Para simplificar, refiz a pergunta: “Você já conseguiu entender o que uma mulher quer?” A resposta negativa veio prontamente. Nem Freud conseguiu.
Os homens não dizem um ‘não’ querendo dizer ‘sim’, o ‘sim’ querendo dizer ‘talvez’, o talvez querendo dizer ‘sabe-se lá o quê’. As mulheres são rainhas em fazer colocações errôneas para o cérebro masculino. Eu, como espécie do gênero, adoraria se eles já viessem com bola de cristal, pouparia esforço dos dois lados, mas também perderia toda a graça.
Um amigo me contou que o “caso” dele surtou, de uma hora pra outra. As situações indefinidas são ponto de partida para um surto feminino porque compartilhar o que se deseja é um jogo. Aliás, são tantas as razões, ou falta delas, para o surto que não tenho espaço para classificá-las aqui no blog.
Eu pergunto o que seria de nós se não tivéssemos dúvidas? Menos surtadas? Não creio. Os homens não surtam tanto porque não têm descontroles hormonais e porque despejam suas dúvidas no bar, mesmo quando estão apenas sentados sem falar nenhuma palavra. Se bem que, confesso, eu deixo de surtar muitas vezes porque também vou ao bar com eles. Talvez essa seja a poção mágica para as mulheres. Eu disse talvez.
Basta um surto e no minuto seguinte você já se sente a maior idiota da face da Terra, as palavras proferidas não voltam. Um surto e quando se dá conta você esta indo para um lado e ele para o extremo oposto. Assim, você jura que nunca mais vai fazer aquilo de novo, tipo porre de tequila. Quando você vai ver, já era. A ressaca está chegando novamente à sua cabeça. Seria bom se desse para se policiar, seria bom se desse para ter um sorriso na boca e paz no coração, mas isso nem sempre é possível.
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Julia Duarte |
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| Este blog conta histórias e acontecimentos sobre o universo dos relacionamentos. São os reflexos de uma mente quase imperfeita. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. Ou não... |
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