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| 21/01/08 01:02 |
Comprometimento
Assisti ao filme “Alta fidelidade” este final de semana, uma adaptação do livro de Nick Hornby. O personagem principal passa o filme todo lembrando de uma ex-namorada e dissecando a vida em listas ‘TOP 5’ – os melhores momentos com ela, as coisas pelas quais ele sentia falta em seu relacionamento, as músicas que embalaram o romance e por aí vai.
Uma cena tocante é ele sentado em um banco, numa praça de Londres, tomando chuva e pensando nos motivos do último relacionamento ter fracassado. O filme é daquele tipo em que os atores conversam com a câmera. Então, ele fala diretamente com quem está do lado de cá da tela: “Foi suicídio não ter me comprometido com ela”.
Bom, a vida não é assim: vou tomar o resto de vinho da garrafa em frente à televisão, depois vou pra cama, depois vou levantar e depois vou para o trabalho. Vou conhecer alguém bacana e ter filhos. Como se tudo isso fosse assim, muito fácil. Fiquei aqui pensando que se comprometer com alguém é um negócio complicado mesmo, não admite desvairos das partes e, talvez por isso, é algo tão difícil. Quando você se compromete, fecha outras portas. Fecha as possibilidades de estar com outra pessoa (pelo menos é assim que deveria ser).
Acredito que comprometimento só acontece se a outra pessoa valer mesmo a pena. Não dá para se comprometer com qualquer pessoa que cruza o seu caminho, isso é fato. Algumas apenas passam pela sua vida entre beijos e abraços, outras ficam. As que ficam, são aquelas que você se preocupa, são aquelas que podem te acordar de madrugada, são aquelas que você quer zelar pelo bem-estar em todos os sentidos e, principalmente, em construir uma história juntos, ainda que não dure para sempre. Aliás, para sempre só existe em contos de fada, não?
Não é de espantar que hoje esteja cada vez mais difícil acreditar no outro e que estejamos quase todos nessa tamanha confusão. Como Tom Hanks no filme “Quero ser grande”, mas não somos mais menininhos e menininhas aprisionados em um corpo adulto sendo obrigados a seguir em frente. Na vida real é diferente, ninguém é obrigado a nada. Se comprometer só acontece se além de você lidar com você mesmo, você tiver capacidade e habilidade de lidar com outra pessoa.
Se comprometer é uma decisão, é uma questão de atitude também, as pessoas podem duvidar do que você diz, mas elas sempre acreditarão no que você faz. Li em um muro, na cidade natal de Pablo Neruda, uma frase dele que ficou marcada em minha mente. “A pessoa certa é a que está ao seu lado nos momentos incertos.” Quem vale a pena certamente estará ao seu lado em momentos incertos e isso não é para qualquer pessoa.
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| 22/01/08 16:05 |
Mesa-redonda
Quero começar o texto dizendo que vou escrever sobre futebol e relacionamento, que sou são-paulina desde que nasci e que não irei mudar de time nem que o papa faça a solicitação em três vias. Isto posto, vamos aos fatos.
Outro dia vi fotos em um celular do ensaio de carnaval na quadra da Gaviões da Fiel. Na lateral da quadra estavam escritas as palavras lealdade, humildade e procedimento. Lealdade entendi, torcida fiel. Humildade entendi, gente humilde. Procedimento? O que isso significa?
Pedi para uns amigos fazerem uma frase com a palavra procedimento. Ninguém conseguiu. Se você é corintiano e está lendo este texto, já deve estar tentando. “Oras, procedimento é procedimento véio" ou “Procedimento é procedimento mano”. Não valem. Depois, no jogo do São Paulo, a Torcida Independente abre a seguinte faixa: “O mundo é grande, mas foi feito para poucos”. Que diferença de palavras, não?
Já sei, vão falar que no meu time só tem “coxinha”, que a frase é coisa de bambi e tal. Eu não me importo, meu time tem Imperador. E eu fui obrigada a assistir ao gol dele umas 10 vezes por causa da paranóia do meu irmão com as mesas-redondas aos domingos. Aqueles programas têm uns 5 ou 6 homens berrando e ninguém entende nada. Depois falam que mulher que berra e fala demais. Vejo o gol no máximo duas vezes, os homens assistem duas dúzias e ainda torcem no vídeo tape. Alguma explicação?
Sou contra ficar falando durante qualquer jogo, senão é cara feia na certa. Deixa o cara lá vendo o jogo e vai fazer algo mais importante para a sua vida. Serão cerca de 90 minutos de mutismo seletivo por parte dele, isso se o time ganhar. Se perder, coloque mais dois dias nesta conta e mais cara feia. Dá para entender? Não tente. Futebol é importante no universo masculino e ponto final.
Uma vez, em um momento de cólera, que com certeza não foi causado pelo futebol, soltei para um são-paulino que a única qualidade que ele tinha era torcer pelo mesmo time que eu. Foi maldade e um erro, admito. Meu melhor amigo, minha mãe, meu primo loiro, o escritor barato e o moço do interior são todos corintianos e são pessoas que eu gosto bastante. Eu até faria algumas loucuras por eles, mas nunca trocaria de time porque tudo na vida tem limite. Os corintianos que me perdoem, mas ser são-paulino é fundamental. Certo, mano?
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| 24/01/08 15:37 |
A pessoa certa na hora errada
Diz o provérbio chinês que nascemos nus, molhados e famintos. Depois as coisas pioram. Tem coisa pior do que encontrar com a pessoa certa na hora errada?
É o tipo de coisa que a gente acha que só acontece com os outros. Grande mentira, pois acontece com a gente também. Eu acho essa desculpa ao mesmo tempo patética e sensacional, não magoa ninguém e todo mundo segue adiante sem muitas explicações. Detalhe importante, os homens não gostam de explicações, as mulheres adoram.
Veja só, agora não é a hora porque vou fazer uma longa viagem, agora não é a hora porque tem outra (o) na jogada, agora não é a hora porque estou com a unha do pé encravada, agora não é hora porque o carnaval está chegando e ninguém é louco de se comprometer perto do carnaval. Estas me parecem todas desculpas iguais: falta de vontade, de boa vontade, de estar com a pessoa. Se ela for a pessoa certa, você vai ficar com ela apesar de ser a hora errada.
Agora o conceito de “pessoa certa” é muito subjetivo, cheio de idealizações, mas dá pra desconfiar se a pessoa combina com você e se tem as características que você considera ideais. Diante da pessoa certa dá-se um jeito de ser a hora exata, basta querer.
Eu não sei se existe mesmo a hora errada se a pessoa é a certa, existe medo de apostar que o relacionamento pode ir adiante. Quem gosta mesmo quer provar que o relacionamento pode ir em frente, mas a verdade seja dita, são necessários dois para se dançar um tango. Quem não está muito interessado, desiste. Como dizem na gíria do momento, pede pra sair.
Então, é você quem precisa ver a verdade, a sua verdade não as desculpas que inventa para si e para o outro porque as pessoas são livres para escolher o próprio caminho. Ninguém é de ninguém. O amor é espontâneo. Não se pode forçar os sentimentos, mas como diz aquela música, “quem sabe faz a hora não espera acontecer”.
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| 25/01/08 20:36 |
Declaração de amor
Na semana passada estava assistindo a um filme com meu irmão e na primeira cena um casal se conhece na porta de um restaurante ao tentar abri-la ao mesmo tempo, uma mão encosta na outra e a partir dali começam um relacionamento que termina em casamento.
Conversamos que aqui no Brasil isso é algo difícil de acontecer, para os americanos começar um relacionamento do nada, out of the blue, como eles dizem, é mais fácil. Acredito que isso por aqui é complicado, mas tudo pode acontecer.
Hoje fui comprar um presente de aniversário para um grande amigo. Ele e a terra da garoa fazem aniversário. Entre outras coisas que estavam em minhas mãos, um livro do São Paulo, o time (juro que não vou falar sobre futebol). Quando abaixei para pegar uma revista escuto uma voz atrás de mim que diz “Vai comprar um livro sobre São Paulo? Esta cidade é horrível.”
Nem olhei para trás, por dois motivos: eu nem lembrava que estava segurando um livro e aquela não era uma voz conhecida. O moço se aproxima e me fala: “Ainda bem que é um livro sobre futebol, achei que fosse sobre São Paulo” e assim, do nada, ele me convida para tomar um café. “Eu detesto café”, falo sem pensar muito (e não gosto mesmo). Ele retruca: “Eu tomo café e você conversa comigo”. Recuso a proposta, desta vez com educação e nos afastamos.
Fui embora da livraria curtir a cidade vazia. Andei calmamente pelas ruas vendo os prédios, mas uma garoa fina insistindo em cair me faz entrar no carro. A cidade em dia de feriado, não tem trânsito e eu confesso que isso São Paulo oferece como nenhuma outra, muito trânsito. Em dias como hoje ela passa de má a boazinha neste quesito.
Tudo bem que o museu estava fechado e, assim como alguns homens, eu desejo que ele estivesse aberto, mas dirijo calmamente pensando na possibilidade imediata de ir assistir ao filme “Meu nome não é Johnny” e ver o Selton Mello. Então, me lembro de um episódio de Sex and the City quando um marinheiro de passagem por Nova York fala para a protagonista Carrie que a cidade é muito barulhenta, cheia de táxis e lixo em todas as esquinas. Ela delicadamente vai embora, como eu fiz na livraria, e diz que ninguém pode falar mal de sua melhor companhia naquele momento. A cidade.
Quem me conhece sabe que eu não defenderia o Brasil como uma Nação decente, mas defendo a cidade de São Paulo sem titubear. São Paulo é a cidade que nunca dorme como Nova York, é a cidade do amor fraterno como Filadélfia, é a cidade luz como Paris. E o melhor de tudo, São Paulo me deixa sempre, todos os dias, com a sensação de que tudo pode acontecer. Sinceramente, não tem nada melhor do que isso quando pensamos em relacionamentos, seja com a cidade ou com uma pessoa, tudo pode acontecer...
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Julia Duarte |
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| Este blog conta histórias e acontecimentos sobre o universo dos relacionamentos. São os reflexos de uma mente quase imperfeita. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. Ou não... |
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