28/01/08 11:48
O amor não tira férias

O filme “O amor não tira férias” é uma comédia romântica água com açúcar, tem a Cameron Diaz lindíssima para os moços e o Jude Law com o olhar e sorriso mais encantadores do cinema atual para as moças. Ela termina um namoro e não quer ver homens na frente, foge de Los Angeles para Londres. Ele, londrino, nem pensa em ter um relacionamento sério com ninguém porque acabou de mudar seu estado civil de casado para viúvo. Como não poderia deixar de ser, eles se encontram.

O ponto chave em questão é que não adianta querermos que o amor saia de férias. Ele aparece ou reaparece nos lugares e com as pessoas que menos esperamos. É assim que acontece neste filme, é assim que acontece na vida real. Os sintomas são fáceis de identificar, boca seca e coração acelerado ou apertado. Você pode também achar que é ressaca, mas é o amor batendo à sua porta. Exatamente quando você não quer ou quando não estava esperando.

Às vezes duvidamos que seguir em frente vale para alguma coisa. Apesar de acreditar no Super-Homem com sua frase “para o alto e avante”, tem gente que acha melhor ficar desgovernado como uma Kombi descendo a ladeira e com o pensamento de que “para baixo todo santo ajuda”. E algumas vezes, somente ir em frente, sem pensar muito, ajuda mesmo.

O cálculo é esse: Quanto mais você tenta achar razões pelas as quais não deveria seguir em frente ou mesmo voltar atrás, vem a contrapartida, fica sem razões porque não deveria. Brutal, porém brilhante.

Drummond escreveu que a vida necessita de pausas, eu concordo com ele. Em épocas de carnaval me lembro daquele breque que os sambistas utilizam para segurar ou finalizar o som da bateria que diz: “Pediu pra pará, parô”. Gostar de alguém, querer algo com alguém ou até mesmo dar continuidade em algumas histórias que não vão dar em nada, pode ser cansativo e tudo que você quer é ter forças para parar ou para ir até onde tem que ir e aprender o que deve ser aprendido. Então penso que o amor não tira férias, mas deveria.
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31/01/08 22:36
Relacionamento iô-iô

Uma das melhores citações do escritor barato, Fabio Hernandez, fala sobre o triunfo da esperança sobre a experiência. Tem histórias em nossas vidas que já sabemos como vai terminar, mas mesmo assim seguimos em frente, desvairados, sem prestar atenção nos espinhos do caminho. Não sei se isso é respeitar o que se sente ou falta de vontade de enxergar claramente uma situação. Situação que, por vezes, se estende como uma mancha de óleo, lenta e indelével.

Falo aqui daquelas pessoas que vivem uma paixão sem fim. Beijam e deixam de se beijar. Ficam juntas e depois terminam, e claro, com o passar do tempo, voltam. Os casais iô-iô sabem que nunca nada será como antes, pois não se volta impunemente ao ponto onde pararam anteriormente. A bagagem da relação vem junta no pacote. São casais que podiam ser nada ou que podiam ser algo, mas seguem ignorando os sinais que a vida emite. É mais fácil acreditar que em um dado momento tudo vai ficar bem. Como num passe de mágica, as palavras vão se sincronizar com as ações. Que maneira de se iludir.

Aprendemos com a vida que precisamos ter equilíbrio. Gostar de alguém e este alguém gostar da gente. Ter confiança no outro e o outro em você. Os dois têm que querer a mesma coisa, mas o ser humano prefere o que é mais difícil. Os olhos não vêem ou não querem ver e a neblina se instala no cérebro. Fica tudo confuso e complicado.

Botticelli enlouqueceu por Simonetta Vespucci. Camille Claudel por Rodin, o moço que nunca moveu uma palha por ela. Será que eles sabiam de antemão que iam se dar mal? Eu acho que a gente sabe quando vai se dar mal, sabemos que não deveríamos estar presos a nenhuma relação mais ou menos. E, às vezes, continuamos para dar mais uma chance ao amor, porque esperamos que, mais uma vez, a esperança triunfe sobre a nossa experiência.

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