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| 07/02/08 11:13 |
Um dia a mais
Eu acho que jamais conversaria com alguém que me diz que tenho cara de brava. E foi exatamente assim que começamos a conversar. Eu vivo sorrindo, tenho bom humor até quando não devo e é muito difícil ficar brava com algo ou alguém. A pergunta dele me intrigou, porque eu estaria com cara de brava?
Depois de algum tempo de conversa descobri que ele é aquele tipo de pessoa que você deseja que a noite não termine nunca mais. Bom papo, inteligência em um nível extremamente elevado, maduro, cativante e totalmente sério, o que desperta em mim um desejo profundo de tirá-lo do sério. Em todos os sentidos, provocar reações diferentes daquelas do dia-a-dia.
O irônico da vida é que quanto mais você deseja que o tempo passe devagar, mais ele passa voando. Uma pena. Então, resolvo aproveitar os bons momentos e o resultado foi uma explosão de beijos e bocas numa procura insaciável, os olhares se encontrando e as horas passando em minutos.
Tive uma serena e agradável sensação de alegria. Trocamos telefones e nos despedimos. Desejo que nos falemos novamente, mas vejo a oportunidade indo literalmente ralo abaixo quando no dia seguinte descubro que coloquei a saia para lavar com o telefone dele dentro do bolso. Eu não iria ligar porque sou adepta ao que o escritor Bernard Shaw chama de “permanecer imóvel até ser cortejada”. Achei que se houvesse interesse da parte dele, ele ligava. Homem quando quer ficar com alguém, vai atrás. Do outro lado do meu celular aparece um número desconhecido, era ele me convidando para sair.
Abro um parêntese para falar de um clássico absoluto do cinema "A um Passo da Eternidade". Aquele filme é formado por cenas memoráveis e marcantes, principalmente a famosa cena do beijo na praia entre Burt Lancaster e Deborah Kerr. Os protagonistas eternizaram a cena porque têm uma expressão, um jeito, um caminhar que faz tudo parecer pra lá de real entre eles.
Coincidência ou não, nos encontramos no dia seguinte no meio da rua, do nada. Caminhamos juntos e conversamos, consigo fazê-lo rir muito e rio também, na mesma hora e das mesmas coisas. Sintonia fina, aquele tipo de sensação que não acontece todo dia e muito menos com qualquer pessoa. Sensação que vem do fato de sermos espontâneos. Aquilo tudo, aqueles momentos, aquelas conversas me parecem muito reais também, como no filme. Normalmente sou cautelosa e prudente, mas sinto que dá para fazer uma obra-prima com essa história, há uma chance de viver algo especial. Basta querer e ter habilidade para vencer o único adversário aparente - a distância.
Eu me encanto com as pessoas que são do bem e com os momentos bons que ficam eternizados na memória. Tenho um compromisso com a felicidade e por isso gosto de pensar nos bons momentos ao lado dele. Descubro assim, uma regra imutável, a cabeça só pensa aquilo que o coração pede. Um dia a mais, um dia mais, um dia a mais...
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| 08/02/08 13:32 |
O combinado
Nos restaurantes japoneses você tem a opção de escolher pratos separados ou aqueles que comumente são chamados de “combinado”. São vários tipos de combinados, que variam no preço e na quantidade de comida. Normalmente, o combinado sai mais barato do que pedir os pratos separados. Então, penso que nos relacionamentos também deveria ser assim. Você pode fazer vários tipos de combinações com quem está ao seu lado.
Os dois querem namorar, os dois querem só sair e curtir, os dois querem ficar e por aí vai. Os dois podem querer qualquer coisa, mas tem que ser a mesma coisa para não desandar. Fica complicado quando um quer e o outro não quer.
O combinado do namoro inclui o compromisso com alguém como prato principal. O combinado do 'estamos-juntos-curtindo-a-vida' inclui diversas borboletas no estômago. O combinado ficar inclui um arco-íris colorido no céu e o prato principal é estar sem compromisso. Eu acredito que tudo isso precisa ser falado depois de um tempo, não dá pra ficar lendo nas entrelinhas o que o outro quer.
Uma vez comentei que é um grande golpe de sorte quando um casal espera o mesmo de uma relação, quando enxergam o mesmo horizonte. Acordos sempre dependem de vontade, de boas vontades, e para ser selado o lance é se abrir e dizer o que você quer. O que vale são sentimentos e não as palavras, que quase sempre são traiçoeiras nessas horas, já que todo mundo está sujeito a mudar de idéia.
Ler nas entrelinhas pode cansar, não falar o que espera de uma relação pode te levar ao amor que escreve certo em linhas tortas. Definitivamente, o que é combinado não sai caro.
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| 12/02/08 14:42 |
Em nome da paixão
Você às vezes tem a sensação de que as coisas só acontecem em sua vida? Eu tenho essa impressão a cada momento porque vivo com muita paixão e intensidade em tudo que faço. Me sinto meio Forrest Gump, sempre sentada em um banquinho contando algum, como dizem no interior, ‘causo’ para alguém dar risada da minha cara ou até mesmo chorar comigo.
Ontem conheci uma pessoa totalmente divertida que mora na Espanha, está de férias no Brasil e cheia de boas histórias. Ela me conta que foi viajar sozinha (assunto para o próximo post) para a Bahia, que teve dias de pura alegria passeando e conhecendo pessoas de todo canto do país e do mundo. Um dia comeu algo típico da culinária baiana e se deu mal, mas tinha conhecido o dono de uma embarcação, um cara lindo e extremamente educado e ela queria vê-lo novamente no dia seguinte. Acontece que durante a noite passou mal, muito mal por causa da comida.
Ela conta que rezou, que pediu para “o Cara lá de cima” fazê-la acordar a tempo de chegar até a embarcação às 9 da manhã. Acordou, foi comprar remédio para segurar o estômago, água de côco e maça. Nesse meio tempo o barco partiu. Ela sabia que o barco iria parar em uma piscina de água natural depois de alguns metros do ponto de partida. Teve a brilhante idéia de alugar um caiaque e ir atrás do barco, na verdade ir atrás do dono do barco.
Fiquei imaginando que aquela cena poderia facilmente se encaixar em um episódio do seriado Friends ou algum filme de comédia com a Sandra Bullock no papel principal, toda atrapalhada remando em nome da paixão. Que cena hilária!
O fim da história é bonito e romântico, eles se reencontraram e passaram o dia, a noite e a madrugada juntos. Claro que ele nunca soube e esperamos que nunca saiba que ela alugou o caiaque somente para ir atrás dele. No fundo, ele deve desconfiar, mas como nada foi falado, fica na imaginação de cada um a verdade desta história.
Acredito que as pessoas deveriam viver tudo que há para viver, como diz o Lulu Santos, se permitir porque o tempo não volta. O que ela fez, faz parte daqueles momentos da vida que você pensa depois: Eu faria tudo de novo se fosse preciso. E pra falar a verdade, a vida só vale mesmo a pena se você tem uma boa história pra contar.
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| 15/02/08 15:17 |
Plus one
Assisti a um episódio do seriado Sex and the City em que Carrie, a personagem principal, recebe um convite para o lançamento de um livro e no canto esquerdo está escrito “plus one”. Ela tem direito a levar outra pessoa na festa. Aquilo vira tortura em questão de segundos porque ela é solteira e encana que “plus one” é o número mais solitário do universo.
Há uma diferença entre ser solitário e sentir solidão. O solitário gosta de ficar em seu canto, fazer suas coisas sem ninguém perguntando qual é o próximo plano ou esperando o seu próximo passo. Ele faz o que quer, na hora que quer, como bem entender. Tem o bem mais preciso do mundo, livre arbítrio. Quem sente solidão acaba fazendo besteira, tenta preencher os espaços vazios com excessos, sejam eles comida, bebida, relacionamentos ruins ou qualquer coisa momentânea que cure o mal.
Outro dia sai sozinha, meus amigos não queriam sair para dançar e eu resolvi encarar a noite by myself. É incrível o poder que uma pessoa sozinha causa nos lugares. Se eu tivesse ido jantar (coisa que também já fiz sozinha) fica todo mundo olhando com cara de “temos um alienígena aqui no restaurante”, está ali naquela mesa. Tem também a cara de “coitada, não deve ter amigos”, que vida triste ela deve levar. As pessoas sentem piedade pelos seres solitários. Grande bobagem.
Para quem está de mal com a vida encarar o mundo de frente é barra, difícil pacas. Já para quem está em um bom momento, é divertido, chega a ser hilário. Em quinze minutos dentro do lugar dançando, dois grupos de homens já tinham me convidado para ficar no camarote com eles. Vou somente esclarecer uma coisa antes de continuar, eu não sou um ser absurdamente sexy, nem modelo da Victoria Secret´s fazendo caras e bocas na pista de dança tentando me aproximar dos homens. Eu estava apenas sorrindo em um canto com minha cerveja sorvendo o líquido, a música e o que há de melhor na vida, aquele estado de felicidade inexplicável.
Aceitei o convite de um carioca que estava com três amigas e dois amigos. Elas começaram a me contar as diferenças entre as paulistanas e as cariocas, falou que éramos recatadas, muito elegantes, mas que elas se davam bem porque dançavam até o chão e vestiam pouca roupa. Algum tempo depois percebi que todo mundo estava com o rosto e braços pintados, igual ao pessoal da Timbalada. Acabei conhecendo a moça que estava pintando todo mundo enquanto conversava no bar e o passo seguinte foi me lambuzar de tinta. Quando terminou a noite eu estava falando sobre futebol com um alemão, moço de Berlim. Todo mundo virou amigo rapidamente, claro que o álcool ajudou as aproximações.
Foi uma das noites mais engraçadas que já tive na vida talvez porque a expectativa com os outros era nula, meu único objetivo era dançar e tomar minha cerveja. A primeira coisa que deveriam nos ensinar na vida é isto: quando você for boa companhia para você mesmo, você será excelente companhia para qualquer pessoa. O resto, perto disto, perde a importância.
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Julia Duarte |
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| Este blog conta histórias e acontecimentos sobre o universo dos relacionamentos. São os reflexos de uma mente quase imperfeita. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. Ou não... |
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