25/02/08 20:19
O NÃO

Ninguém nunca ensina pra gente na escola as coisas que realmente importam na vida. Você passa anos dentro daquele mesmo lugar, aprendendo as equações de matemática e ninguém nunca te explicou o fundamental, aceitar um NÃO.

A adolescência é a idade certa de aprender isso porque deixamos as coisas passarem por puro medo. Se você já é adulto deve ter aprendido a lição. Vá em frente, o NÃO você já tem. O máximo que pode te acontecer é o esperado sim. A negativa faz todo sentido do mundo em alguns casos, mas é entendido como rejeição e, por isso, é tão temido.

Quando quiser falar com alguém e não souber como fazê-lo pense no NÃO. É normal olhar para o relógio, olhar para o teclado, olhar para o telefone. Nada de ansiedade, apenas um desejo incontido de se comunicar. Escrever e apagar, discar e desligar. Não tente entender essas atitudes patéticas que temos. Há mais mistérios entre o céu e a terra do sonha nossa vã filosofia. Lembra da lição e das palavras mágicas que soam dentro de sua cabeça ‘o não eu já tenho’, ‘o não eu já tenho’, ‘o não eu já tenho’.

Escreva. Ligue. Mande recado. Carta. Recado de texto. Sinal de fumaça. Pombo correio. A partir do momento que você realmente compreende o NÃO e de que ele pode realmente acontecer, fica mais fácil aceitá-lo.

O seu direito de querer algo com alguém acaba onde começa o do outro em não querer nada com você. É sensacional quando o outro também quer. Quando corresponde. Porém pensar no NÃO te torna adequadamente humilde. A gente faz o que é possível fazer e esse é um bom jeito de se viver.
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21/02/08 20:55
Companheirismo ou amor de verdade?

Ontem assisti a um episódio de Dr. House, o seriado médico mais inteligente da televisão norte-americana. O diálogo de dois médicos que trabalhavam na madrugada do Valentine´s Day, o Dia dos Namorados, me chamou atenção. Um deles, Dr. Foreman namora uma enfermeira do hospital, a outra, Dra. Cameron, é solteira.

“São mais de 3 da manhã e é dia dos namorados achei que você ia sair com a enfermeira”, ela fala.

“Sou médico, ela sabe como é e vai sobreviver”, ele responde.

E continua, “você tem sorte”.

“Eu sei. Um dia, quando tiver tempo, eu gostaria de ter uma vida social”, fala Cameron .

“Um dia? Se há uma coisa que uma mulher bonita sempre pode ter é vida social”, comenta o médico.

“Você quer dizer sexual”, ela retruca com propriedade.

O médico tenta convencê-la de que ela terá companheirismo até aparecer o amor de verdade. Ela, brilhantemente, responde: “Já tive amor de verdade, não quero nada menos do que isso”.

A gente se acostuma com qualquer coisa nessa vida? Eu acho que, em se tratando de amor, a resposta é não. Minha guru, a Márcia, me disse que se acostumar com coisas boas é infinitamente mais fácil. Dá para se contentar com companheirismo por um tempo quando a gente já sabe como é ter amor de verdade?

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20/02/08 11:56
Vícios

Hoje achei em uma papelaria o “caderno dos vícios”. Em cada página há espaços para colocar a data, qual é o seu vício do momento, suas sensações e emoções a respeito do danado e, por fim, se você o repetiria novamente ou não. Fiquei pensando como preencheria aquelas páginas.

Alguns vícios são inocentes, porém outros, machucam, ferem. Alguns até paralisam, causam abulia - doença que leva o ser humano à incapacidade de tomar uma decisão ou exercer a sua vontade. Até o direito civil prevê (sabe Deus em que artigo) os vícios. São os chamados vícios redibitórios, aqueles defeitos ocultos, que tornam uma coisa imprópria para o uso a que é destinada ou que a fazem de tal modo frustrante que o contrato não teria se realizado, se fossem conhecidos. Nos relacionamentos, também existem os vícios ocultos. Podemos evocar o Código Civil para solucioná-los?

Como sou muito intensa acredito que a mesma situação que pode nos levar ao êxtase, nos leva ao fundo do poço. Tenho um amigo viciado em adrenalina. Toda vez que algo vai mal (ou muito bem) em sua vida ele entra em um daqueles aviões que vomitam pára-quedas. Salta uma, duas, três vezes, salta até ser tomado pela sensação de não coordenar mais suas pernas. Tem outro que é viciado em mulheres. Ele ignora totalmente que isso seja um perigo, é justamente o fato de ter várias que o faz feliz e miserável ao mesmo tempo.

Quanto a mim, tenho um vício que eu achava inocente: seriados americanos. Tudo começou com Friends e eu não consigo mais parar. O problema do vício é que além de te tirar do ritmo normal da vida, te deixa perdido. É prazer e agonia ao mesmo tempo. No meu caso, é um prazer ver o que os roteiristas e os personagens fazem e é uma agonia trocar meus horários de vida social somente para seguir os episódios.

Às vezes eu baixo ou leio na internet curiosa para saber o que vai acontecer, mas a emoção não é a mesma do que esperar ser televisionado. Hoje, depois de ter assistido todas as temporadas de pelo menos uns sete seriados, eu peço para não me apresentarem mais nenhum, porque senão eu não saio mais de casa.

Somos burros perante os vícios não-inocentes, a gente sabe que não os deveria ter, mas insistimos. Atire a primeira pedra que nunca os teve: gostar de quem não gosta de gente, insistir em uma relação que não funciona, ficar com alguém que não tem nada a ver com a gente, arrastar um bonde por quem não dá a menor bola para nós. Tem burrice maior? Desconheço.

Estes vícios acabam com nossa energia, mas o que é a vida sem a chance de fazer escolhas idiotas?
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17/02/08 22:19
You give me something

Colocaram a letra de uma música em um dos recados aqui no blog, "You give me something" de James Morrison. Resolvi procurar o vídeo no You Tube. No clip tem uma parte que ele canta no meio das ruas de Chinatown em New York e o jogo de luzes nos prédios ao redor dele é incrível, fiquei arrepiada.

Ele canta “for every piece of me that wants you another piece backs away”. A cada pedaço de mim que quer você, outro quer ceder. Você me dá algo que me assusta. Isso pode ser nada, mas estou disposto a tentar. A palavra disposto seguida do verbo tentar é algo sensacional tanto na música quanto na vida.

Se existe um verbo que eu prezo com todas as forças é este: tentar. Você nunca vai saber o que pode acontecer se não tentar. Nada de grandioso foi conseguido ou construído sem algum esforço. Então, considero a tentativa uma das melhores qualidades que um ser humano pode ter.

Thomas Edison, o moço das patentes, inventou as ondas radiofônicas e, é óbvio que, só conseguiu porque tentou. Se eu estivesse em um programa de rádio seria a hora de falar: “ofereço-esta-música-para-alguém-e-este-alguém-sabe-quem”.

James Morrison, o cantor, continua “You already waited up for hours just to spend a little time alone with me”. Você já esperou algumas horas para passar algum tempo sozinho comigo. Enquanto ele canta, eu vou confessar que esperaria mais alguns dias para ter muitas horas ao seu lado, simplesmente porque é divertido, é interessante, é leve e é do jeito que a vida deve ser.

Morrison termina a música falando que um dia conhecerá seu próprio coração. Eu termino dizendo que saber aquilo que vai dentro do nosso coração é um grande passo para saber o que fazer. Por mais que saibamos o que fazer eu guardo o ensinamento da minha avó que disse que o coração dos outros é terra desconhecida, a gente nunca sabe se vai passar por lá.

Dou toda a razão para a voz da sabedoria, mas tenho certeza que não custa nada tentar.
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