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| 17/03/08 20:50 |
Nosso Monte Everest
O conceito de múltiplas personalidades vem sendo estudado em praticamente todas as abordagens psicológicas. Descobri quatro pessoas vivendo em um só corpo, um caso de múltiplas personalidades. São quatro adoráveis seres, cada um com seu diferencial e absurdamente engraçados.
Nossa história não foi feita somente de sorrisos porque a trajetória de diferenciação de cada ser que mora dentro dele foi tal qual o desafio de escalar uma montanha como Everest. O esforço, a habilidade e a trajetória até a metade da montanha foram completamente diferentes daqueles exigidos para atingir o topo.
Acho que todo mundo tem um monte Everest particular, rotas para chegar a algo difícil de alcançar. Os escaladores profissionais possuem caminhos diversos para subir a montanha e coisas que levam consigo para sobreviver. Algumas tentativas de escalada levam a desastres. Congelamento é uma delas. E me lembro que em um dado momento tudo que ele conseguiu fazer foi congelar meu coração.
Anos depois, penso que, poderia ter alcançado a parte mais alta da montanha. Aquela parte mais difícil, mas bom encontro amoroso é feito de duas e não três pessoas. O que um escalador chama de jet stream - aquela rajada de ar muito veloz que ocorre na estratosfera ou na alta troposfera e que ele não sabe de onde vem -, eu chamo de apunhalada pelas costas. Ainda que tenha sido descoberta a tempo de me afastar.
O que importou foi o percurso. A probabilidade de uma só pessoa prender a atenção de quatro personalidades tão distintas é pequena. Acho que só consegui porque tenho uma personalidade espirituosa. Depois que a tempestade passou, concluí que tudo poderia ter sido mais fácil, mas o aprendizado dessa história foi como ganhar na loteria sem ter jogado.
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| 20/03/08 20:55 |
Amar demais faz mal à saúde
Li uma matéria sobre o filme “O Passado”, de Hector Babenco, na revista Época. Vi o DVD e não pude deixar de pensar nas atitudes descontroladas dos personagens. O filme, como definiram para mim, é uma pedrada.
A moça, Sofia, não se conforma com o final de seu casamento e faz de tudo para ter o ex por perto. Nem que para isso pareça louca a maior parte do tempo. O moço, Rímini, não tem o menor controle sobre sua vida. Ela o manipula. Ele se deixa manipular. É chocante ver até onde um apaixonado pode ficar perturbado pela própria paixão (esta frase é genial e não é minha, tomei emprestada).
Em se tratando de amor é difícil estipular regras ou dizer desta água não beberei. Em nome dele, o amor, concordo com a idéia de correr riscos, cometer erros e fazer algumas loucuras. Subestimar nossa própria inteligência, algumas vezes, é fundamental. Mas somente se a intenção for boa.
O autor da matéria, sabiamente, diz que as mulheres que amam demais perdem o juízo. E que é difícil acreditar que existam pessoas como o casal do filme. A não ser, claro que estejamos loucamente apaixonados. O amor justifica a loucura. Eu gostaria de saber, os homens também não perdem o juízo quando estão apaixonados?
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| 24/03/08 22:48 |
Conto de fadas x vida real
Crianças são educadas para acreditar em conto de fadas. Aquela fantasia de como a vida seria. Nas historinhas tem vestido branco nas princesas e príncipe encantado no castelo. Então, você ouvia aquelas histórias, deitava para dormir, fechava os olhos e tinha completa fé. O Papai Noel existia e o Coelho da Páscoa ia trazer seu ovo. Mas a gente cresce, abre os olhos e o conto de fadas desaparece.
A maioria das pessoas quando cresce procura pessoas e coisas em que possam confiar. É difícil abrir mão do conto de fadas porque todo mundo tem o mínimo de esperança. É difícil abrir os olhos e tudo virar realidade. Como a gente sabe o que é real e o que não é? A gente simplesmente sabe.
No fim das contas, a fé é uma coisa engraçada. O conto de fadas é diferente do que você aprendeu ou imaginou. O castelo não é um castelo. Os príncipes e as princesas vacilam. E, no fundo, não é tão importante que se seja feliz para sempre. Mas só que sejamos felizes agora.
Isso é tudo o que a gente pode saber. O resto temos que levar na fé.
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| 26/03/08 13:27 |
Resumo da ópera
Tem uma coisa na vida que não podemos escolher: sentimentos. Seria mais fácil se pudéssemos escolher tudo que sentimos. Ter o poder de fazer alguém gostar da gente com a mesma intensidade. Esta seria a minha primeira escolha. Mas nem tudo é do jeito que a gente quer.
Porque as coisas, às vezes, saem completamente do nosso controle. Não seria mais fácil tê-las em nossas mãos? Sim, seria, mas perderíamos toda a emoção. Outro dia li que uma ópera acontece quando uma pessoa toma uma facada e ao invés de sangrar, ela canta. Depois de confundir sentimentos e emoções e de andar no escuro, fica mais fácil caminhar quando tudo está claro em nossa mente e coração.
Tem coisas na vida que a gente aprende. Andar e escovar os dentes ao mesmo tempo, sem babar. Usar um banheiro público sem achar que vai morrer com alguma doença. Com sentimentos, a gente também pode aprender. Este é o resumo da ópera: lidar com os sentimentos que nos alegram e nos entristecem.
Aprender a lidar com sentimentos, é um dia acordar, abrir o olho, levantar da cama e simplesmente saber que não se prendem pássaros e nem corações. E que a gente pode deixar as pessoas que amamos livres para entrarem em nossas vidas. Ou não.
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Julia Duarte |
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| Este blog conta histórias e acontecimentos sobre o universo dos relacionamentos. São os reflexos de uma mente quase imperfeita. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. Ou não... |
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