08/04/08 12:06
Você sorriu e eu não soube o que fazer

Meu amigo alemão gosta de uma música que diz “sorria mesmo nos dias em que nada mais restar de teus sonhos encantadores”. Sorrir faz bem para a alma e para o coração. Eu juro que já tentei sorrir para você, mas você nunca deixou. Depois, confesso, desisti de te olhar e de tentar.

Dito e feito. No exato momento que faço isso, você me encontra e me solta o sorriso. Um sorriso daqueles que você olha no olho da pessoa, sorriso direcionado, tímido, porém encantador. Em segundos, vejo que abaixa a cabeça, rói a unha e sai do meu foco.

Sabe quando aquele momento que você tanto quer finalmente acontece? E de tanto querer você fica sem saber o que fazer? Este foi o momento. Quando aconteceu só faltei tropeçar. Foi tão inesperado que tudo que consegui fazer foi sorrir de volta, timidamente e também abaixar a cabeça.

Por dentro me senti uma idiota por não ter reação e por ficar te devendo um sorriso escancarado. Sorriso de quem está interessada. Segundos depois eu estava berrando por dentro. Achando inacreditável. As coisas que você quer muito sempre acontecem quando você se distrai. Quando você pára de esperar por elas.

Este foi um daqueles momentos eternos. Como diz o escritor barato, foi o momento em que a Terra tremeu. Primeiro porque percebi que não sou invisível aos seus olhos. Depois porque a sensação foi muito agradável. Eu queria voltar os segundos, passar por aquilo novamente e ter uma reação decente, mas nada é tão bom quanto a primeira vez em que algumas coisas acontecem. Outros sorrisos virão (virão?), mas aquele será sempre o primeiro.

Neste mesmo dia ouvi uma música no rádio (não tenho a menor idéia quem cantava) que dizia “You smile and I want ask you to stay”. Você sorri e eu quero te pedir para ficar. Eu queria brincar de Matrix, fazer tudo passar bem devagar. Ver seu sorriso em slow motion. Te pedir para ficar e sorrir mais de perto.

Vocês podem estar pensando: “Poxa foi só um sorriso. Que exagero”. Só sigo o lema do Cazuza, porque ansiava por um sinal de vida vindo daquele ser há tempos. Minha sábia mãe diz que um sorriso é a menor distância entre duas pessoas. Dá para discordar dela?


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13/04/08 23:37
Efeito dominó

Assisti a um episódio do seriado Sex and the City. Carrie, a protagonista, está às voltas com seu amor vai-e-vem, Mr. Big. Ele se recupera de uma pequena cirurgia no coração e ela vai visitá-lo. Leva uma caixinha de dominó e monta um caminho com as pedras do jogo. Todas enfileiradas, em pé. Basta um toque e tudo desmoronará. Tudo tão frágil quanto o relacionamento deles naquele momento.

Depois ela encontra as amigas em um restaurante e diz que algumas pessoas entram na nossa vida, na nossa pele e ficam. E que ter algumas pessoas em nossas vidas, amores que nunca se esgotam, só é possível se bloquearmos alguns sentimentos.

Alguns homens também limitam seus sentimentos. Algo do gênero: só posso ir até aqui. Qualquer passo a frente, seria exagero. Seria se entregar demais. Ficar vulnerável. Mas têm momentos em que eles abrem o coração. E é tão difícil para alguns se abrirem que quando isso acontece, nós, mulheres, ficamos felizes que eles estejam por perto e de peito aberto.

Mr. Big sabe que está vulnerável e pergunta para Carrie: “O que estamos fazendo?”

“Não sei”, ela responde.

Ele a olha com ternura e diz: “A vida é curta, kid”.

Ela sabe que ele finalmente abriu o coração. E tudo fica tão calmo que parece férias. Então, é hora dele se perguntar: Quão perigoso é um coração aberto?

No seriado, eles deitam e dormem. Quando acordam, ele pisa nas peças de dominó e derruba tudo. Ela fica deitada na cama olhando para o chão, para as peças caídas e sabe que no mesmo momento em que a calmaria chegou para ela, ele fechou o coração de novo.

Abrir o coração novamente pode acontecer dentro de um mês, cinco anos ou nunca mais. E você se pensar direito - como Carrie fez - e se conhecer o suficiente, deve saber que ter um homem que só abre o coração de tempos em tempos não é o bastante. A vida é curta.

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