17/04/08 00:57
E agora, José?

O escritor irlandês Bernard Shaw escreveu que as mulheres devem permanecer imóveis até serem cortejadas. Acredito nele. Poucas coisas são tão encantadoras quanto ser cortejada por quem estamos interessadas. Porém, quando as coisas não andam a gente tenta dar uma força ao destino.

Essa ajuda providencial ao destino um grande amigo chama de gastar energia à toa. Ele fala isso porque acredita que as melhores partes de uma relação acontecem naturalmente. Sem força e sem empurrão.

Eu penso que o “não” a gente sempre tem. Saber que temos a chance de levar um não de alguém nos torna seres adequadamente humildes. Lembro de uma frase do filme Clube da Luta de David Fincher: “essa é a sua vida e está acabando a cada minuto”. Se já temos o não e se a vida está passando a cada minuto. Por que não se arriscar?

A gente só perde o que já tem. Resolvo perguntar aos amigos o que leva uma pessoa a não se interessar ou não se arriscar por outra. Uma amiga diz que as pessoas podem ter um ritmo diferente do nosso. Operam em uma marcha: a lenta.

Um outro amigo diz que tem pessoas que tiraram a sorte grande na vida e nem sabem. Diz que o moço por quem estou interessada pode gostar da mesma espécie que eu gosto: a masculina. Nada contra as escolhas dos outros, mas essa eu duvido.

Vou ficar com a minha versão. Triste, porém realista. Ele não se interessou por mim. É uma pedrada no meio da testa pensar assim, mas é a versão mais próxima da realidade. Eu queria abrir a porta, mas não existe porta. A luz apagou. A noite esfriou. A esperança acabou. E o riso não veio.

E agora Drummond, o que será de José?
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19/04/08 20:35
Celular na mão de bêbado é arma

O título deste texto é o nome de uma comunidade no orkut com 550 integrantes. Eu não sei porque todo bêbado acha que o ex-namorado (a), caso ou amizade colorida vai querer ouvir sua brilhante voz arrastada ou o que você tem a dizer quando já está fora de suas perfeitas faculdades mentais.

Li na revista ‘Quem’ que Leonardo de Caprio tomou uns drinks a mais e ligou para a ex Gisele Bundchen. Queria apenas ouvir a voz da moça. Quem disse que o outro do lado de lá quer ouvir a sua voz? Quem disse que a outra pessoa quer ouvir o quanto você ainda gosta dela?

Eu adoraria que inventassem um dispositivo para desligar o celular assim que ele identificasse um bêbado. Algo do gênero bafômetro do celular. Essa sim seria uma grande invenção do homem, ultrapassando a invenção da roda. Além disso, aos bêbados não seria dada a prerrogativa de falar com quem não estivesse alterado também.

Claro que já liguei bêbada para ex. Claro que já falei bobagem para algum coitado que dormia e foi subitamente acordado no meio da noite. Claro que já não lembrei de uma palavra do que tinha falado no dia seguinte ao acordar. Você já fez isso alguma vez?

Nessas horas não tem nenhum amigo por perto para te impedir de falar ou ainda, se estiver por perto, vai “deixar” você falar com o dito cujo do passado e no dia seguinte também não vai lembrar de nada para te contar. Amnésia alcoólica é o nome disso.

Eu odiava acordar e correr para o celular pensando: “Caramba, será que ontem eu liguei para alguém que não devia?” “Ah, não liguei. Ufa! Mas posso ter mandado recado de texto...” Um terror pensar tudo isso ao abrir os olhos. O corpo desidratado, a dor de cabeça, a boca seca, a palpitação do coração. Muita coisa para coordenar e ainda pensar em ressaca moral.

Hoje em dia me parece que aprendi a lição: Não, eu não ligo para ex quando bebo. Para amigos, sim. Ex, não mais. Desligo o telefone ou torço para a bateria acabar. A gente nunca sabe quando a saudade pode apertar ou a dose de bebida ir além do que seria o suficiente. Nessas horas teria apenas um nome a dar para a situação: reincidência.
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24/04/08 15:20
Never EUI

Li na revista GQ uma matéria sobre etiqueta no envio de e-mails. Não há regras, nem livros sobre o assunto e dicas são bem-vindas.

Um dos tópicos chama-se ‘Never EUI - E-mail under the influence’, ou seja, nunca mande e-mails sobre influência de álcool, de drogas ou de raiva. A dica é a seguinte: se seus dedos estão tremendo ao digitar saia de perto do teclado.

Pior do que mandar um e-mail sob influência é mandar um sem influência de nenhum destes fatores citados e não obter resposta. Um amigo me diz que e-mails enviados sob efeito de forte adrenalina emocional são os piores. No exato momento em que você aperta o botão ‘enviar’ parece que o seu estômago foi levado junto pelo computador.

O pico de adrenalina é assustador e pode ser comparado ao receio de não obter nenhuma reação do lado de lá. O que, claro, faz parte da vida. Mas quando não recebe nada de volta pensa que prudência, dinheiro no bolso e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

As mulheres adoram inventar desculpas e não existe aquela história de que a pessoa não pegou o e-mail, que deve ter apagado sem querer ou você digitou o endereço errado. A verdade, nua e crua, é uma só: a pessoa leu e não quis responder. Uma vez que você experimenta uma sensação como está, pode acreditar, não vai ter pressa nenhuma para passar por isso de novo.
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